Cada Diretoria que passou pela nossa Unimed participou positivamente do seu crescimento, onde cada uma viveu momentos e dificuldades diferentes. Lembro que toda administração, pública ou privada, para transformar suas ações em realidade, depende:
da competência e qualidade da equipe que administra;
2- das condições que recebeu a empresa do antecessor;
3- das condições econômicas do país.
Nesta semana que passou, tomei conhecimento de dois fatos que permitiram nossa Unimed crescer. Estes fatos eram conhecidos apenas por aqueles que participaram diretamente dos mesmos.
Primeiro fato: foi-nos relatado pelo colega cooperado Jorge Felipe Abud, que era o presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Uberaba (SMCU) no ano de 1984. As palavras dele:
“Neste ano, ficamos sabendo, tardiamente, que a Golden Cross (pioneira operadora de planos de saúde no Brasil, oferecendo cobertura ambulatorial, hospitalar e obstétrica, focada principalmente em planos empresariais de microempresários e empresas de diversos portes), que havia realizado contrato para prestação de serviços com os hospitais Santa Cecília e São Domingos.
A SMCU tinha o protagonismo de sempre ser ouvida nas questões de saúde. A Unimed era ainda muito pequena e não tinha esse protagonismo (capacidade de assumir o papel principal na própria vida, carreira ou em situações específicas, agindo de forma ativa, proativa e responsável).
Constituímos uma equipe de diretores e fomos conversar com o cooperado Rene Cecílio, responsável pelo contrato do Santa Cecília com a Golden Cross. Explicamos a ele que essa empresa, a primeira e a mais forte do Brasil, colocava em risco nossa Unimed, então muito pequena. Fomos convincentes e dr. Rene rescindiu o contrato.
Fomos ao Hospital São Domingos e falamos com a diretora, Irmã Nívea Padin. Após explicar a condição de fragilidade da Unimed, a Irmã nos respondeu que tinha um contrato assinado com a Golden Cross, onde havia um item que abordava a pontualidade do pagamento. Ficamos sabendo o dia do pagamento. No dia seguinte ao estipulado para o pagamento, falamos com a Irmã, que nos respondeu que a empresa não havia feito o pagamento. Imediatamente, a Irmã rompeu o contrato com a Golden Cross. Respiramos, aliviados”.
O segundo fato nos foi narrado pelo colega Carlos Farah, que nos disse:
“Aprovada a construção da nova sede da Unimed, esta buscou o recurso financeiro dentro da Unicred. Por ser a Unimed ainda pequena, não tinha cadastro de garantia para assumir, com os outros bancos, a construção de uma sede do porte planejado. Antenor Zuliani era o presidente da Unimed e eu era presidente da Unicred e, também, um dos diretores da Unimed. Conhecíamos a seriedade e a responsabilidade assumida pela Unimed. Enfim, estávamos em família e o Conselho de Administração da Unicred aprovou, pois era a única possibilidade viável de construir a sede da Unimed. Traduzindo: se não fosse a Unicred, a atual sede da Unimed não teria sido construída”.
É importante lembrar que, baseado no princípio do intercooperativismo, e também devido ao alto volume de movimentação financeira pela Unimed, a Unicred pagava as aplicações da Unimed em 110% do CDI.
Faz parte da conduta humana cortejar os que detêm uma sólida posição, em detrimento daqueles que não participam da estrutura do poder. Quando ainda pequena, quem esteve ao lado da Unimed, defendendo-a e fazendo-a crescer, foram a SMCU e a Unicred. Hoje, a Unimed, estando sólida, robusta e com boa saúde financeira, surgiram outros “players” da área econômica para caminhar com ela. É a lei do mais forte.
Acredito que nossa Unimed não teria feito parceria com o Banco Itaú se conhecesse todos esses fatos do protagonismo da SMCU e da Unicred aqui relatados que a permitiram chegar às condições atuais. Estes fatos devem ser analisados com serenidade por aqueles que entendem e praticam o cooperativismo.
Nilson de Camargos Roso
n.roso@me.com