Sabemos que o ideal é aquilo que se encontra somente em nosso pensamento, em nossas ideias, o que nos permite afirmar que devemos ter muito cuidado ao expressarmos nossa ideologia política, pois todas elas apresentam virtudes e falhas, que podem ser analisadas friamente somente por aqueles que conseguem se manifestar com prudência e urbanidade (capacidade das pessoas educadas e civilizadas de se relacionarem), sem conflito de interesses, sempre à procura da discutível e desejável verdade.
Eu era um adolescente quando ouvi pela primeira vez a citação de um ditado chinês: “o exemplo vem de cima”. Assim, um pai de família que pede aos filhos e à esposa para economizarem não pode comprar e chegar em casa com quatro pares de sapatos novos, mesmo que esses sapatos fossem comprados na “black friday” por apenas 10% do preço real. O pai deveria ter socializado e comprado então um par de sapatos para cada familiar, e não comprar muitos para si, permitindo a lógica da democracia funcionar. Deve haver o respeito pela equidade de direitos.
No período pré-eleitoral, o presidente Lula criticou o desperdício financeiro das famílias de classe média (essa classe média que não se vende e nem depende do Estado, odiada por Marilena Chauí) que têm mais de uma televisão em casa. Porém, evidenciou incoerência ao adquirir para a residência oficial uma cama por R$45.000,00, um sofá por R$60.000,00 e um tapete por R$120.000,00, pagos com dinheiro público, e não com seus recursos próprios, o que é mais grave. Lembro que o cidadão de classe média que tem uma televisão em cada quarto pagou com recursos próprios, ao contrário de Lula, que agiu sem equidade. Como responsável maior pela administração do Brasil, suas ações foram opostas às suas palavras, não dando “o exemplo que deve vir de cima” e, embora dizendo ser defensor e protetor dos pobres, tem se mostrado muito mais elitista do que antielitista.
Os vídeos circulantes nas redes sociais desnudam nosso presidente, demonstrando um “flagrante perpétuo” quando ele diz “porque quando se quer dar um golpe se constrói uma narrativa. Primeiro para construir na mente das pessoas de que a MENTIRA É VERDADE. E a mentira se tornando verdade então se pode aplicar o golpe que você quiser.” Aristóteles Onassis dizia “não ser descoberta uma mentira é o mesmo que dizer a verdade, enquanto Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler, produzia “fake news”, dizendo: “uma mentira falada mil vezes se torna verdade”.
Lula aplicou essa sua própria fala durante a visita do ditador Maduro a Brasília, em maio de 2023, quando disse: “companheiro Maduro, se quiser vencer uma batalha, preciso construir uma narrativa para destruir o meu potencial inimigo”. Ora, Lula orientou Maduro a transformar uma mentira (narrativa) em verdade, ou melhor, numa falsa verdade, produzindo “fake news”. Mas a grande e velha imprensa “se esqueceu” de fazer a análise do infeliz comentário, oriundo da maior autoridade do Brasil, exemplo negativo para o cidadão brasileiro. Se seguirmos o exemplo do nosso presidente Lula, qual será o futuro do nosso povo?
Lembro aqui duas citações feitas há uma década pelo atual vice-presidente Alckmin, então governador do Estado de São Paulo, quando ainda pensávamos que ele fosse um conservador cristão e recordava Santo Agostinho:
1- “prefiro os que me criticam, pois me corrigem, do que aqueles que me bajulam, pois me corrompem”;
2- “os que me elogiam são os meus amigos e os que me criticam são os meus mestres”.
Como se percebe, Lula, que produziu “fake news”, e Alckmin, “que voltou ao local do crime”, receberam e ainda recebem críticas pelas suas ações, mas “ainda não se corrigiram” e nem “aceitaram as críticas dos seus mestres”, condições que evidenciam que não são seguidores de Santo Agostinho.