O título do texto é ambíguo e o primeiro significado é a distância entre Berna, capital da Suíça, que dista 8.782 quilômetros em linha reta de Brasília, nossa capital. Porém, essa informação física pouco nos enriquece.
O segundo significado do título nos mostra as diferenças da cultura suíça com a brasileira, onde hábitos e costumes dos dois países são muito díspares.
Em janeiro de 2025, o colega médico e professor aposentado da UFTM dr. Hélio Moraes de Sousa nos relatou o fato ocorrido com a filha dele, residente na Suíça, onde, após uma viagem, ao retornar à sua casa, constatou que havia sido assaltada, tendo sido levadas apenas suas joias. Imediatamente, ela foi à polícia, fazendo um boletim de ocorrência. Perguntaram se ela possuía as notas fiscais das compras das joias. Ela explicou que as joias foram ganhadas como presentes de casamento em Uberaba. Solicitaram então que ela apresentasse os valores das joias roubadas. Como se lembrava das pessoas que a presentearam, solicitou que estas procurassem em Uberaba os respectivos valores, o que foi conseguido. Com os valores em mãos, apresentou os mesmos e foi ressarcida, caracterizando a Suíça como um país com cultura sedimentada, colocando o Brasil ainda mais distante da Suíça do que a simples distância física, pois vivemos atualmente um quadro grave de insegurança pública.
Pessoa amiga que morou alguns meses na Suíça nos contou que, morando em uma residência de suíços, após quase dois meses de estar lá, recebeu a visita de um funcionário da Prefeitura, que procurava saber por que o consumo de água havia aumentado. A explicação: como brasileira, tomava banho um pouco demorado, todos os dias, enquanto os suíços, como a maioria dos europeus, não tomavam banho todos os dias. Essa fiscalização demonstra o rígido controle público sobre os gastos.
Também os suíços controlam os consumidores de drogas, onde o usuário pode utilizar as mesmas somente na própria residência ou então nos pontos previamente autorizados para tal fim. Se forem flagrados usando drogas fora dos locais permitidos, serão presos.
O forte controle sobre sonegação na Suíça também é um quesito muito claro. Qualquer policial pode solicitar na via pública que o cidadão apresente a ele a nota fiscal de compra. Caso não possua, receberá multa, assim como a loja que vendeu a mercadoria. Os casos citados podem ser entendidos como exemplos de um povo que tem uma boa cultura, o que implica em melhor IDH (índice de desenvolvimento humano).
Nem sempre o cidadão que recebeu a educação convencional é culto. Mas todo cidadão culto é uma pessoa que recebeu nos bancos escolares a educação convencional adequada, principalmente se completou o curso Superior. A pessoa culta geralmente é educada e a pessoa apenas educada nem sempre é culta.
É estranho pessoa culta ocupar cargo público importante, onde necessita comprovar que, para exercer o cargo, possui “notório saber”, aja de modo vulgar, dando exemplo negativo de como agir, próprio de pessoas sem cultura. Refiro-me ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, vaiado durante o jogo do Corinthians contra o Palmeiras, na Neo Química Arena, em São Paulo. O episódio ocorreu na noite de quarta-feira, 30 de julho de 2025, durante as oitavas de final da Copa do Brasil, quando, em resposta às vaias recebidas, agindo como um inculto, apresentou à torcida a mão direita com o dedo médio em riste. Ora, esse é um gesto incisivo associado à repreensão, autoritarismo ou desafio. Culturalmente, é visto como um ato ofensivo ou agressivo, funcionando como uma ordem ou demonstração de desprezo, sendo comum em confrontos, críticas políticas ou situações de superioridade hierárquica.
Como se percebe, se um togado, pressuposto como cidadão culto, conhecedor de direitos e deveres, sabedor da diferença entre certo e errado, assim como entre legal e ilegal, comporta-se dessa maneira, concluímos que a distância entre Suíça e Brasil é milhares de anos-luz. Finalizando: se um torcedor fizesse o gesto do dedo em riste para este ministro, o que teria acontecido com a vida desse torcedor?