ARTICULISTAS

Uma reflexão diferente sobre o dia 8 de janeiro

Nilson de Camargos Roso
Publicado em 27/02/2026 às 18:20
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Quando todos pensam do mesmo modo, geralmente se pensa pouco e a fértil mente humana, dentro da lógica e dos princípios democráticos, pode e deve apresentar argumentações com todas as variáveis possíveis.

Todo brasileiro preocupado com o futuro do Brasil acompanhou de perto o que ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Desejo abordar três hipóteses imaginárias do que lá ocorreu, desde a tentativa de golpe em 2022 até o dia 8 de janeiro:

1- primeira hipótese: ocorreu apenas a tentativa de golpe;

2- segunda hipótese: ocorreu apenas o 8 de janeiro;

3- terceira hipótese: ocorreram as duas já citadas hipóteses.

PRIMEIRA HIPÓTESE: houve apenas a tentativa de golpe em 2022, sem ocorrer o vandalismo do dia 8 de janeiro. Se a tentativa de golpe existiu, foi por pensamentos e palavras, pois não houve o golpe. Lula, em entrevista em agosto de 2025, disse que “a transição de governo que recebi de Bolsonaro foi mais tranquila e organizada do que quando recebi de FHC”, comprovando que houve respeito à democracia e não houve a efetivação do golpe. Nessa primeira hipótese, não havendo o 8 de janeiro, o fato da tentativa de golpe cairia no esquecimento, não havendo meios sadios de trazê-la ao conhecimento da sociedade.

SEGUNDA HIPÓTESE: imaginemos que houve apenas o vandalismo do 8 de janeiro, sem existir a tentativa de golpe. Nessa condição imaginária, certamente não haveria qualquer prisão ou punição, mesmo porque não houve apreensão de armas e não houve mortes ou feridos. Gabriel Boric, político de esquerda, ainda atual presidente do Chile, concedeu indulto a 12 pessoas ligadas aos protestos ocorridos no governo anterior, onde na manifestação de rua ocorreram 30 mortes e 400 feridos, saques, roubos e manuseio de coquetéis Molotov, fatos muito diferentes do 8 de janeiro. Argumento de Boric: “temos que curar essas feridas, vivemos um processo que foi tremendamente complexo, e estes jovens não são delinquentes”.

Enfim, 8 de janeiro, isoladamente, neste enfoque, é um vandalismo que cairia no esquecimento, muito diferente da depredação do Congresso Nacional pelo MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) em 6 de junho de 2006, também diferente das 45.000 pessoas do MLST do 24 de maio de 2017, onde mais de 20 pessoas ficaram feridas e cerca de 500 foram presas na ocasião. Os militantes foram acusados por dano ao patrimônio público, formação de quadrilha, lesão corporal, mas os processos foram prescritos na Justiça.
TERCEIRA HIPÓTESE: o jornal O Estado de S. Paulo publicou editorial de domingo último, 22.02.2026, intitulado “Abuso de poder”, referindo-se ao inquisidor ministro Alexandre de Moraes. Com a citação deste grande jornal, posso dizer que o referido ministro, em sistema de monólogo, tornou crime o movimento de 8 de janeiro, tipificando no mesmo cinco infrações penais graves. Assim agindo, com essa manobra, conseguiu arrastar, puxar e trazer à tona a esquecida tentativa de golpe, onde interpretou que o 8 de janeiro foi “apenas uma continuação da tentativa de golpe”, carregando pesado nas sentenças (14 anos para a cabeleireira do batom “perdeu, Mané”), entre inúmeras outras. A única maneira de incriminar os integrantes da tentativa de golpe era fazer uma inquisição do 8 de janeiro, tornando criminoso este movimento que seria uma simples consequência da tentativa de golpe. Some-se a essas ações as dificuldades dos réus terem acesso às provas obtidas, a não inclusão nas ações judiciais com posterior desaparecimento do ministro-geral do Gabinete de Segurança Institucional, general G. Dias (distribuindo água aos invasores), a perda dos filmes nos momentos cruciais da invasão pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, assim como a ausência do presidente Lula em Brasília no 8 de janeiro, pois foi visitar o amigo Edinho Silva, em Araraquara, SP.
Acredito que a manobra de associar o 8 de janeiro com a tentativa de golpe, procurando um elo, um nexo causal, foi um Cavalo de Troia: “o preparo de uma armadilha a fim de capturar o inimigo”.

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