Na fila do credenciamento, podemos observar uma cena que tem se tornado cada vez mais comum, a impaciência diante de um procedimento que leva poucos segundos.
O QR Code demora a abrir, a conexão oscila, o aplicativo não responde na velocidade desejada e a pressa e o imediatismo transformam um simples check-in em motivo de inquietação.
Curiosamente, são muitas vezes as mesmas pessoas que, logo depois, permanecerão horas com os olhos fixos na tela do celular durante todo o evento. Até chegam cedo, mas não chegam por inteiro.
Vivemos o tempo do imediato, onde tudo precisa acontecer agora, ser respondido agora, ser visto agora e nessa corrida silenciosa contra o relógio estamos desaprendendo a permanecer.
Nos eventos, esse comportamento se revela com nitidez. Pessoas ocupam cadeiras, mas infelizmente nem sempre ocupam o momento. Assistem palestras dividindo a atenção com mensagens, redes sociais e notificações incessantes. Fazem fotos e selfies, publicam trechos de apresentações e acompanham conversas paralelas enquanto o conhecimento acontece diante delas.
A tecnologia aproximou distâncias, mas também criou ausências curiosas. Nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão distraídos e, por este motivo, acabamos perdendo oportunidades valiosas como uma conversa informal durante um intervalo, um encontro inesperado que pode gerar uma parceria e a observação atenta de uma ideia capaz de transformar um projeto, uma carreira ou uma instituição.
O aprendizado raramente disputa espaço com alertas sonoros, porque ele costuma surgir nos detalhes, gestos, palavras e reflexões que exigem atenção genuína.
Talvez o paradoxo do nosso tempo esteja justamente aí; reclamamos dos poucos segundos necessários para acessar um QR Code, mas entregamos horas inteiras a conteúdos que pouco acrescentam. Buscamos velocidade para entrar no evento e, sem perceber, desperdiçamos a oportunidade de vivê-lo plenamente.
Quando o encerramento chega, muitos saem com centenas de imagens armazenadas e poucas memórias verdadeiramente construídas. Levaram o evento no bolso, mas não necessariamente dentro de si.
Conhecimento, conexões e experiências continuam acontecendo ao vivo e nenhuma tela, por mais brilhante que seja, consegue substituir a riqueza de um momento plenamente vivido. Talvez o maior desafio da contemporaneidade não seja acompanhar a velocidade do mundo, mas preservar a capacidade de estar onde estamos.