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Cada detalhe fala

Regiana Esquiante de Figueiredo
Publicado em 24/02/2026 às 19:41
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No serviço público, a redação é expressão da liturgia do cargo e da responsabilidade que lhe compete. Cada documento oficial carrega, em sua forma e conteúdo, a imagem da autoridade que o subscreve e da instituição que representa.

O convite oficial ultrapassa a condição de simples peça de comunicação. É um instrumento formal que traduz organização, legitimidade e observância às normas de cerimonial e protocolo. Muitas vezes é o primeiro contato entre a autoridade anfitriã e o convidado e, por isso, deve refletir sobriedade, clareza e precisão técnica.

Falhas aparentemente simples de grafia inadequada, informações incompletas, emprego incorreto de pronomes de tratamento ou identificação equivocada de cargos não são pequenos detalhes e comprometem a imagem institucional, fragilizam a autoridade do ato e podem gerar constrangimentos evitáveis.

Há um princípio basilar que precisa ser respeitado: quem convida é a autoridade, não o órgão. Prefeitura, Câmara, Secretaria ou Autarquia não formalizam convites; quem o faz é o prefeito, o presidente, o secretário ou o dirigente competente. A correta identificação do anfitrião assegura legitimidade ao ato e reafirma o respeito à hierarquia administrativa.

Também é fundamental compreender que não se utiliza a palavra “convite” no corpo do texto. A própria peça já cumpre essa finalidade. A redação deve ser direta, impessoal e formal, com construções consagradas como “tem a honra de convidar”, evitando redundâncias e informalidades.

      A estrutura do documento precisa apresentar, com objetividade, a finalidade da solenidade, a data, o horário, o local com endereço completo, eventuais orientações de acesso, indicação de traje quando pertinente e canal oficial para confirmação de presença. A exatidão dessas informações impacta diretamente na logística, na segurança e na adequada acomodação das autoridades, segundo a ordem de precedência.

O uso apropriado dos pronomes de tratamento e o respeito à hierarquia não configuram excesso de formalismo, mas sim observância à liturgia pública. O cerimonial existe para garantir essa ordem, preservar a institucionalidade do ato e assegurar que a forma esteja à altura da função.

Ainda que os meios digitais tenham se consolidado como ferramentas contemporâneas de comunicação, o rigor técnico permanece indispensável. Modernizar não significa relativizar normas essenciais.

Um convite oficial bem elaborado comunica planejamento, organização e respeito. No serviço público, cada detalhe fala e a forma é parte indissociável da autoridade que se representa.

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