O cerimonial público sempre foi visto como território da ordem, do tempo cronometrado e das regras silenciosas que poucos conhecem, mas muitos sentem.
Durante anos, ensinamos a sentar, anunciar, posicionar, chamar e pouco falamos sobre saber ouvir, mas no Cerimonial Contemporâneo a inclusão deixa de ser um simples protocolo para se tornar uma celebração verdadeiramente autêntica de acolhimento para abraçar a diversidade.
Um cerimonial inclusivo nasce exatamente aí: no instante em que o protocolo vai muito além das normas para atingir a pura sensibilidade. Quando o roteiro não serve apenas para organizar autoridades, mas para garantir que todas as pessoas, com ou sem deficiência, com diferentes idades, ritmos e histórias, consigam viver plenamente aquele momento.
Humanizar o cerimonial é compreender que uma rampa não é um detalhe técnico, mas um convite. Que uma intérprete de Libras não é um adorno institucional, mas uma ponte de cidadania. Que perguntar, com antecedência, sobre necessidades específicas não expõe ninguém, ao contrário, reconhece e respeita.
Há uma falsa ideia de que inclusão “engessa” o evento, mas o que ela faz, na verdade, é libertá-lo. Um cerimonial atento ao outro flexibiliza horários, adapta falas, ajusta iluminação, cuida do som, revê o vocabulário, substitui expressões automáticas por palavras que acolhem e troca o improviso constrangedor pelo planejamento empático.
O cerimonial humanizado também educa. Ele ensina autoridades a esperar, a respeitar o tempo do outro, a dividir o protagonismo. Ensina que precedência não é privilégio, é função e que dignidade não se negocia, se garante.
Um evento verdadeiramente inclusivo não é aquele que simplesmente segue o roteiro à risca, mas o que finaliza com a sensação coletiva de pertencimento, quando ninguém precisou “dar um jeito” para participar e quando todos foram considerados desde o primeiro convite.
Talvez esse seja o maior avanço do cerimonial contemporâneo: ir além da arte e ciência de organizar solenidades e transformar protocolos em pontes e cerimônias em encontros verdadeiramente humanos.
Como menciono no livro “Cerimonial Inclusivo, Protocolo e Boas Práticas”, de minha autoria: “Um cerimonial inclusivo é um espetáculo em que todos podem ser protagonistas, e essa é uma experiência que educa e transforma, criando um impacto não apenas durante a celebração, mas ao longo da vida de cada um dos participantes”.