Quem trabalha com cerimonial público sabe: não são os protocolos que cansam o público, mas a falta de respeito a eles.
Em muitas solenidades, o que deveria ser um ato institucional claro e bem conduzido se transforma em uma sequência de falas longas, repetitivas e, muitas vezes, desconectadas do objetivo do evento.
É nesse cenário que a frase da presidente da Academia Brasileira de Cerimonial e Protocolo Professora Gilda Fleury se impõe com absoluta atualidade: “quando falar em público, fale alto para ser ouvido, fale de pé para ser visto e fale pouco para não ser chato”.
Longe de ser apenas um conselho de oratória, trata-se de uma síntese precisa do bom cerimonial, aquele que funciona sem aparecer e que valoriza o tempo e a atenção do público.
Falar alto, aqui, não é uma questão de volume, mas de respeito. É garantir que todos compreendam a mensagem, do primeiro ao último lugar. Quando a fala não chega ao público, o ato perde sentido e a solenidade se esvazia.
Falar de pé não é vaidade nem formalismo exagerado. É postura institucional e reconhecimento de que aquele momento não é pessoal, mas público.
O corpo também comunica, e a posição adotada durante um pronunciamento reforça ou enfraquece a importância do que está sendo dito.
Já falar pouco exige disciplina e talvez por isso seja o ponto mais ignorado. O tempo, em eventos públicos, não pertence a quem está com o microfone, mas a todos os presentes. Discursos longos não tornam uma solenidade mais importante; apenas mais cansativa e o cerimonial existe justamente para evitar esses excessos. Cabe a ele orientar, organizar e lembrar que o protagonismo é do ato, não da fala. Quando a técnica é respeitada, o evento flui, e quando é ignorada, ninguém esquece.
Em tempos de agendas lotadas e paciência cada vez menor, a frase da grande mestra e professora Gilda Fleury funciona quase como um alerta. Cerimonial público não é palco para vaidades, mas um exercício de respeito institucional. Dizer o essencial e do jeito certo continua sendo a forma mais elegante e eficaz de comunicar o poder público.
Regiana Esquiante de Figueiredo