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Matéria-prima

Regiane Esquiante de Figueiredo
Publicado em 25/09/2026 às 19:37
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Durante um encontro de profissionais do Cerimonial, ouvi uma frase da colega Norma Zélia Andrade, CEO da NZ Eventos e Treinamentos, que ficou comigo desde então: “A matéria-prima do Cerimonial é a vaidade.”

À primeira vista, a afirmação pode causar certo estranhamento, afinal, a palavra vaidade nem sempre é vista com bons olhos.

Mas quem vive o Cerimonial sabe que a frase não fala de arrogância, e sim de algo muito mais humano, que é o desejo de ser reconhecido.

Todos nós gostamos de ser lembrados, acolhidos, tratados com respeito e em uma cerimônia não é diferente, pois autoridades, homenageados, convidados, apoiadores e até mesmo aqueles que trabalham nos bastidores carregam expectativas e desejam sentir que sua presença foi considerada, ou que sua contribuição tem valor.

É justamente nesse cenário que o Cerimonial se torna tão importante, porque ele vai muito além da organização de mesas, roteiros ou precedências.

Seu papel passa pela compreensão das pessoas, de suas histórias, características, necessidades e formas de estar no mundo.

Uma apresentação inadequada ou um gesto de acolhimento que não aconteceu podem marcar mais do que qualquer falha técnica; da mesma forma, pequenas atitudes de atenção, escuta e cuidado têm o poder de transformar a experiência de quem participa de uma cerimônia.

Em tempos em que tanto se fala sobre inclusão, acessibilidade e diversidade, o Cerimonial é chamado a ampliar seu olhar, afinal, acolher não significa apenas receber bem, e sim reconhecer a pluralidade humana, respeitar diferenças e criar condições para que cada pessoa se sinta pertencente, vista e respeitada em sua individualidade.

Por outro lado, quando tudo é conduzido com atenção, sensibilidade e respeito, cria-se um ambiente de harmonia institucional e as pessoas se sentem parte daquele momento.

Talvez uma das maiores habilidades de quem atua no Cerimonial seja justamente essa, a de compreender as vaidades sem alimentá-las em excesso, equilibrar expectativas e transformar diferentes interesses em convivência respeitosa e produtiva.

O Cerimonial é feito de pessoas e elas têm histórias, emoções, conquistas, limitações, sonhos e, sim, vaidades; e reconhecer essa realidade não diminui a profissão, pelo contrário, mostra o quanto ela exige preparo, inteligência relacional, empatia e sensibilidade.

Quanto mais reflito sobre a frase de Norma Zélia, mais percebo sua profundidade e compreendo que administrar a vaidade humana não é apenas uma tarefa do Cerimonial. É uma arte que se aperfeiçoa quando aprendemos que reconhecer pessoas, acolher diferenças e promover inclusão também fazem parte da excelência que buscamos em cada cerimônia e talvez seja uma das razões pelas quais atuar com cerimonial e protocolo continua sendo tão desafiador e fascinante.

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