ARTICULISTAS

A flexibilidade

Renato Muniz Barreto de Carvalho
Publicado em 05/10/2026 às 20:23
Compartilhar

Ao longo da vida, conheci muita gente, tive muitos amigos, muitos alunos, colegas de trabalho, correligionários, confrades, parceiros de infortúnio e de sucesso, por que não? Reuni companheiros de lutas e de ideais, mas também juntei desafetos e detratores — poucos, ainda bem, né?

Ora, a vida é isso, essa riqueza de tipos humanos e de relações, de conflitos, paixões, alegrias e decepções. Somos únicos, cada um com suas diferenças e semelhanças, com suas pretensões, necessidades e desejos pessoais e coletivos. Quem sou eu para falar sobre isso? Apenas um curioso, um observador da vida e das pessoas, alguém que gosta de gente.

Não há um indivíduo igual a outro; mesmo assim, temos o costume de classificar as pessoas, seja por tipo físico, comportamento, classe social, estado civil, ocupação, idade e o escambau. Umas são solitárias, vivem isoladas, sorumbáticas, jururus. Muitas são gregárias, festeiras, movimentam-se em grupos, seguem tendências e palavras de ordem. Outras transitam bem por todo lado. Tenho certeza de que você conhece alguém parecido.

Gostando ou não, existem os autoritários, os mal-humorados, os desonestos, os gananciosos, os violentos… E paro por aqui, pois esse pessoal não merece tanto destaque. Tomara que repensem seu jeito de ser, que vejam a vida com mais amor e simpatia, coisa que lhes falta, a uns mais e a outros menos.

Muitos têm seu valor e, se quiserem, podem dar sua contribuição ao mundo. E, mais importante, as pessoas mudam, se transformam, sem contar que os olhos de quem as observa podem perceber nelas características diferentes. O que eu admiro é a coragem, a disposição de olhar, de mudar o mundo, de promover encontros, o gosto e o respeito pela diversidade, a disposição de transformar a realidade em conjunto.

Tenho pena dos intolerantes, eles se parecem com mourões de cerca dividindo paisagens monótonas. Os intransigentes imaginam o mundo fixo, rígido — e se orgulham disso, pobres coitados! Não sabem que algumas árvores altas, com seus galhos frágeis, se quebram. Os flexíveis entendem melhor o movimento das moitas de bambu e de algumas palmeiras. O vento sopra, levanta a poeira, derruba folhas, mas elas se dobram e permanecem inteiras. É preciso saber se virar quando necessário, mudar de ideia, alterar rotas, adotar um novo estilo de vida.

Já os autoritários são engessados, amargos, presos a convenções e normas muitas vezes inúteis, válidas só para quem as produz. A vida não é estanque, a realidade muda o tempo todo. Mudam as plantas, os bichos, as paisagens, o clima e a história. Até as pedras rolam, se desgastam; um dia vão virar cascalho, pedregulhos, areia. Você se define como um conservador ou prefere compreender as impermanências do mundo?

Eu tenho apreço pelos sonhadores, são mais condescendentes. Choram, se entristecem, esmorecem, mas sabem ser alegres, amorosos e felizes. Já reparou? Entendem melhor as intempéries e tentam sobreviver a elas. Nossos tempos pedem isso.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por