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A guerra custa caro

Renato Muniz
Publicado em 13/01/2026 às 11:18
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Imagine deslocar para o mar vários navios, carregados de soldados, armamentos, equipamentos, etc. Esses soldados precisam comer, receber medicamentos, usufruir de algum lazer, nem que seja ver um filme ou jogar baralho. Alguém precisa limpar o chão do refeitório, lavar pratos, panelas, roupas e lençóis. E manter as máquinas ligadas. É imenso o gasto com combustível, deixar luzes acesas, a comunicação funcionando, elevar o astral e a moral das tropas. Imagine quanto custa o transporte aéreo, em aviões militares, dos comandados e seus comandantes, seus armamentos e outras tranqueiras.

Por terra, mar ou ar, uma incursão militar custa dinheiro, é um valor significativo, não estamos falando de um cruzeiro turístico nos mares do Caribe nem de uma excursão escolar. Ah, e os soldados devem ser muito bem pagos, não estão ali para brincar de atirar mamona uns nos outros.

Alguém paga por isso. Serão os banqueiros, os donos da indústria armamentista, as empresas petroleiras? Em tese, não. A maior parte sai do orçamento público e rubricas específicas. De qualquer forma, é dinheiro que poderia ser usado não para matança e massacres, mas para fins humanitários, científicos, de descobertas do mundo onde vivemos e de outros mundos. Mesmo previstos em lei, como em estados de exceção, etc., são recursos que deixam de ir para a saúde, a educação, a pesquisa médica, o lazer, entre outras demandas. Um dia de um porta-aviões estacionado em alto-mar daria para construir quantas praças, quantas quadras esportivas, quantas creches? O voo de um caça supersônico não é uma viagem à cidade vizinha para visitar parentes.

E tem mais: soldados e oficiais não têm as mesmas despesas, a hierarquia supõe mordomias e privilégios, tratamento desigual. Os soldos não são os mesmos, a comida não é a mesma, as acomodações não são idênticas. Não há romantismo na guerra, a não ser nos filmes. Guerras trazem medos, incertezas, gente mutilada, ódio, e isso custa caro. Não estamos falando só de dinheiro.

Envolver pessoas, sejam militares ou civis, numa guerra, é sinal de decadência, é a ruína do diálogo e do bom-senso, significa a derrota da humanidade, da beleza, da empatia e da serenidade. As batalhas, travadas de longe ou de perto, degradam os seres humanos, degeneram as amizades, o amor, a liberdade — enfim, empobrecem a vida.

Pode-se argumentar que a abertura de negócios possibilitada pela guerra traz melhorias para a economia, traz crescimento. Isso é ilusão, é mentira! Na verdade, traz destruição, morte, tristeza, desolação. Gastos militares preocupam economistas e investidores sérios, causam impacto negativo nas contas públicas. Balas e fuzis são instrumentos de morte e não produzem nada a não ser horror, pânico e desesperança. Enriquecem quem as fabrica — e, por isso, são usadas para garantir lucros e dividendos. Quem pode ser a favor das guerras senão os que estão a serviço dos que as promovem?

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