Quem será que inventou a caixinha de fósforos? A gente sabe que o inventor da lâmpada elétrica foi Thomas Edison, que também inventou inúmeras outras coisas; bobagem enumerar todas elas: está tudo nos livros e na internet. Sabemos que foram os chineses os inventores do papel, da bússola de navegação e da pólvora. Quanto às invenções e descobertas mais recentes e de maior impacto, temos o motor a vapor, o avião, a radioatividade e por aí vai. Alexander Fleming, a partir de suas pesquisas, abriu caminho para o uso dos antibióticos, mudando a história da humanidade. Engenhos, máquinas, produtos novos, aparelhos cada vez mais incríveis não param de surgir. O mundo sempre foi um lugar de invenções e descobertas.
Das invenções que parecem bobas às de importância inquestionável, não se pode menosprezar nada. E vocês, que leem jornais e revistas, sabem disso; então, podemos parar com os exemplos, de acordo? Cada um de nós já deve ter se sentido inventor ou inventora um dia. Quem nunca?
Minha dúvida inicial referia-se à caixinha de fósforos. Foi um achado genial. Como o pessoal, antes do século XVIII, acendia o fogão, esquentava água, colocava fogo no parquinho? Uma pesquisa rápida me conduziu ao ano de 1826, duzentos anos atrás. Achei a história de um farmacêutico inglês que misturou substâncias químicas; a mistura caiu num palito, o palito bateu numa pedra e pegou fogo. Tem tudo para ser uma lenda, mas está nos livros e nas páginas de busca. Para o bem e para o mal, estava criado o palito tão famoso. Reuniram todos eles e eis a primeira caixinha. Um viva a quem teve a ideia! Há quem diga que, antes da caixinha, os palitos vinham numa latinha, tipo uma lata de sardinhas. Um inventor sueco patenteou a caixinha em 1844. Será que já vinha com 40 pauzinhos? Aliás, por que 40 palitos, e não 50 ou 60? Por que o palito só pode ser usado uma única vez? Quanta cultura inútil, hein, amigos? Mas tá valendo.
É que, às vezes, eu fico com vontade de incendiar o mundo. Não é uma boa ideia, sabemos disso, mas a vontade vem — depois passa. O incêndio aqui tem significado simbólico, tá? Não vou fazer isso. Só de pensar, fico triste, abatido, imaginando a tragédia que um fogaréu provoca nas matas: a destruição, a morte de filhotes, a perda da diversidade. Como alguém pode fazer isso? E sabemos que a culpa não é de um palito de fósforo. Ora, o Brasil já teve até “dia do fogo” (agosto de 2019), ação instigada para incendiar matas de forma proposital. Como assim? Qual é a sanidade disso?
Está na hora de mudarmos nossas atitudes e nossas concepções de mundo. É bom lembrar que um palito de fósforo também pode acender uma vela e ajudar a iluminar a escuridão que nos povoa.