ARTICULISTAS

Conselhos para uma pessoa que não lê

Renato Muniz B. Carvalho
Publicado em 20/04/2026 às 17:16
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À primeira vista, pode-se considerar que tem alguma coisa estranha no título acima. Estaríamos, no mínimo, diante de um contrassenso. Afinal, a quem se destina este texto? O autor faz aqui uma aposta arriscada, no sentido de provocar reações dos leitores e dos não leitores também. Talvez funcione, talvez não. Se a provocação funcionar, melhor, teremos mais leitores num universo que encolhe a cada dia que passa. Se não funcionar, espera-se que tenha alguma serventia para os que gostam de ler.

Cá entre nós, é bastante inconveniente e desestimulante ter a leitura de um livro ou de qualquer texto interrompida ou perturbada por motivos variados. Refiro-me às interrupções não relacionadas intrinsecamente à leitura. De qualquer forma, o nosso objetivo é proteger os interesses legítimos dos que desejam fazer suas leituras sem serem incomodados.

Sem uma preocupação rígida com categorias ou quaisquer tentativas de classificação, aqui está o primeiro conselho: evite puxar conversa com quem está lendo. Mesmo que a interrupção seja sobre o conteúdo do livro, contenha-se, guarde sua pergunta ou seu comentário para depois. Não pergunte sobre o título, a autoria ou o assunto. Se for o caso, aguarde a iniciativa vir do próprio leitor. Se for um texto digno de nota, e, geralmente, pelo bem ou pelo mal, todos são, o contato virá; leitores sempre têm assunto para conversar.

Som alto, principalmente de músicas estridentes e repetitivas, com as devidas ressalvas aos gostos particulares a que todos têm direito, costuma ser um flagelo. Algumas músicas até podem facilitar a leitura, mas depende muito de quem está lendo e de sua formação musical. Há quem goste de música erudita, de jazz, blues, rock, música instrumental ou música brasileira, vai saber, este não é um texto sobre música. Melhor respeitar o silêncio.

Ligar a televisão e deixar com o som alto é rude, enervante. É atitude deplorável que pode demonstrar uma injúria ao leitor, verdadeiro desprezo pela leitura. Esquecer a TV ligada é algo tão comum que muitos não percebem, mas é sintoma do mais agudo comodismo e desleixo. Muitas pessoas fazem mil outras tarefas, inclusive assistem a vídeos pelo celular, e sequer se levantam para desligar a TV. Muitas vezes, os programas televisivos substituem o convívio familiar, as relações de amizades e fornecem a agenda dos assuntos.

Comer, apesar de parecer atitude inofensiva, é péssimo. O som das mordidas, o cheiro do sanduíche, o preparo e o ato de passar o guardanapo nos lábios ou nas mãos se configuram como distração ou, talvez, descuido irritante. Nas bibliotecas, é comum existirem cartazes pedindo que as pessoas não comam no recinto. Protege os livros de mãos gordurosas, evita farelos caídos no chão, que atraem insetos e roedores desinteressados de leituras. Bibliotecas não são lanchonetes, de acordo? Então, o melhor a fazer é encontrar um livro para ler. E viva a leitura!

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