Uma guerra, qualquer uma, provoca muitas incertezas e medos. Circunstâncias excepcionais nos fragilizam e é comum surgirem indagações angustiantes sobre o futuro. Os temores humanos afloram com intensidade, aumentam os atritos, a insegurança e a desesperança.
Muita gente se pergunta, ainda que distante da guerra, quais serão as consequências e que configuração mundial surgirá após o fim do conflito. É claro que tanto as perguntas quanto as respostas vão depender do interlocutor, de quem partiu a pergunta ou de quem vai responder. Os dramas típicos dos confrontos armados pioram a ansiedade e cobram respostas que não temos.
Com a globalização, fenômeno intensificado após o fim da Guerra Fria (1945-1989), pode-se dizer que as guerras mexem com todos os povos do mundo. Uma opção para entender o que se passa é descobrir a motivação dos envolvidos, a começar pelos que mais deram causa a elas desde o século passado: os estadunidenses. Um bom começo é analisar sua poderosa indústria cultural, que domina “corações e mentes”. A música, o cinema, a indústria alimentícia ou a maneira de se vestir revelam muita coisa. A arte cinematográfica reflete seus dramas interiores, suas contradições e o modo como influenciaram as sociedades contemporâneas.
Trabalhar estereótipos e preconceitos sempre foi uma das armas do cinema estadunidense. Assim foi em relação à Segunda Guerra Mundial, associando alemães e japoneses à brutalidade e a comportamentos ridículos diante do “mocinho”, o esperto soldado ianque. Dois filmes, em especial, quebraram essa lógica: “Johnny vai à Guerra” (1971), de Dalton Trumbo, e “Dr. Fantástico” (1964), de Stanley Kubrick. No primeiro caso, trata-se do mais contundente filme contra a visão militarista dos EUA. Um jovem vai à guerra e é gravemente ferido. Numa situação surreal, perde braços e pernas e tem o rosto deformado, mas luta para conseguir se comunicar. O que fazer com esse soldado será discutido pelo Alto Comando. Um filme obrigatório em tempos de guerra. Já o segundo leva a guerra ao extremo da loucura. Por meio de ironias, revela o aspecto insano das decisões militares e suas consequências.
A Guerra do Vietnã foi tema de excelentes filmes, bem como de algumas porcarias e libelos favoráveis à guerra sob a ótica da elite militarista (a série “Rambo” é um bom exemplo). Um dos melhores filmes é “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Coppola. O filme mostra situações de intensa violência que levam as pessoas à insanidade, ao horror, aos delírios. Para os militares, nada mais faz sentido, a não ser as batalhas e a disputa pelo poder.
Assistir a esses filmes contribui para compreender o que se passa no mundo atual. Fazer a crítica às guerras revela o envolvimento de quem se envolve nelas por interesses econômicos. É preciso denunciar a violência e o desrespeito à humanidade. Valorizar a arte ajuda na formação de consensos civilizatórios que poderão nos vacinar contra novas guerras.