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Legumes e outras leituras

Renato Muniz B. Carvalho
Publicado em 21/09/2026 às 18:04
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Não, a intenção aqui não é fazer uma sopa de letrinhas. Talvez seja possível, sem forçar muito a barra, descobrir alguma semelhança entre preparar uma gostosa sopa para uma noite fria e escolher um livro para ler. Dá uma boa combinação. Se você gosta de ler e de cozinhar, veio ao lugar certo. Aqui, citaremos métodos, procedimentos culinários e prazer.

A escolha de um livro e o preparo de uma sopa quentinha começam pela seleção dos ingredientes. Pode-se começar pelo gênero: romance, conto, poesia… Os mais apressadinhos vão perguntar: sopa de quê? As que me agradam são as de feijão, de cebola e de aveia, além da canja de galinha e das que ainda não foram inventadas. Sopa, creme, caldo e outras variedades podem reivindicar características e afinidades próprias. Para mim, a diferença está na consistência, na densidade do caldo, no sabor.

Sopas aceitam bem complementos. Uma torradinha com manteiga, por exemplo, vai muito bem. Queijo ralado é indispensável para paladares mais exigentes, assim como salsinha, cebolinha e alho, em certas receitas. Ao gosto do freguês, se possível, sem exagerar na pimenta.

É fato: a sopa esquenta, acolhe, fornece bons argumentos para colóquios diversos. É democrática, aplaca raivas e ressentimentos. Por motivos óbvios, usam-se colheres, e não garfos. Na ausência de talheres, tome-a no prato mesmo. Se te oferecerem numa grande caneca, não recuse. Deve-se tomar cuidado para não sujar a roupa nem deixar pingar na toalha de mesa. Não se preocupe com etiqueta: a principal qualidade das sopas é serem populares. Tem para todo mundo, seja num balcão operário no centro da cidade, seja num jantar chique de comemoração. No caminho da superação das desigualdades, até uma sopa de retalhos vai bem para matar a fome. Espera-se que o dia seguinte traga cardápios mais inclusivos, sem autoritarismos, e que o diálogo vença o ódio.

Gosto de sopas de legumes. De preferência com cenoura, batata, inhame, mandioquinha-salsa, chuchu e temperos a gosto. Fique à vontade para sugerir a de sua preferência. Cada ingrediente tem seu jeito próprio, seu sabor específico e preparo individualizado. Passo a faca na cenoura, raspando a pele (da cenoura, é claro!); depois, corto em rodelinhas, acompanhando as indicações desta simpática raiz. Quanto ao chuchu, retiro o miolo e a pele, mas isso fica a gosto do freguês. Cascas, folhas, carnes e temperos variados podem ser refogados à parte e acrescentados depois. Legumes e raízes são ingredientes universais, contêm vitaminas, fibras e minerais necessários à saúde: cálcio, ferro, potássio, fósforo e magnésio. Batata e inhame vão melhor sem a casca. O que mais?

Escolha, pense, reflita, tempere conforme seu gosto. Imagine o mercadinho de frutas e legumes como uma hortinha no fundo do quintal. Quando a sopa ficar pronta, não espere esfriar: pegue o livro que você separou para ler num momento especial, deixe o celular bem longe e boa leitura!

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