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Lilliput é aqui

Renato Muniz B. Carvalho
Publicado em 23/02/2026 às 17:53
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Você já visitou as Fake Islands? Ocupadas a partir de 1726 pelo almirante inglês J. Swift, as ilhas formam um belo arquipélago, localizado no Pacífico Norte. O navegador viajou bastante pelos sete mares antes de chegar e declarar-se governante do lugar. Um ano depois, foi apeado do poder por um ajudante de nome Lemuel Gulliver, que assumiu o governo e estabeleceu um protetorado até a independência, no início do século XXI.

Nos anos iniciais, os administradores e agentes bajuladores enviaram dezenas de emissários aos quatro cantos do mundo para prospecção comercial. A história não oficial diz que uma das esquadras se perdeu à procura do quinto canto, mas não há comprovação. Muitos acreditam que os navios estejam vagando por aí em busca desse canto e seus encantos. Quando retornarem, se é que isso vai acontecer algum dia, uma nova era de paz e prosperidade vai redimir o povo feiquista — o habitante das ilhas. O objetivo das expedições era trazer produtos que pudessem ser cultivados e exportados a diversos países, além de informações fidedignas sobre o resto do mundo.

Um dos problemas crônicos do país é a extrema desigualdade entre os moradores, vários tipos de desigualdades. Existe a desigualdade de estatura: alguns são altos, quase gigantes, enquanto outros são baixinhos. O mais grave, no entanto, é que, apesar dos diferentes tamanhos, não é possível identificar quem é quem na sociedade feiquista pelo simples exame da altura. Outro elemento a ser considerado na sociologia ilhoa é que uma parte significativa da população mente, mente muito e vem mentindo tanto ao longo dos anos que já não é mais possível saber quem está falando a verdade e quem está mentindo. Vamos nos ater a este ponto.

Anos de mentira confundiram o povo — e isso dificulta a descoberta da verdade a tal ponto que as duas coisas se embaraçam, se alternam, se mesclam. A mentira ganhou status de fato social, tal qual o suicídio, a prostituição, a pornografia, a miséria, etc. Especialistas já advertiram dos riscos que isso traz para a sociedade local.

Nesse sentido, uma questão que persiste é a do “descobrimento” do arquipélago. Apesar dos estudos históricos realizados, uns dizem que as ilhas foram descobertas; outros defendem que foram conquistadas — e não é mera questão semântica! A tarefa dos mentirosos tem sido, ao longo do tempo, jogar dúvidas constantes sobre este e outros assuntos, tais como: não houve escravidão nas ilhas; todos têm as mesmas oportunidades; não existem problemas ambientais; não existe miséria; não existem pessoas altas e pessoas baixas, depende de como você olha, etc. Jogam com elementos ardilosos, como meias-verdades, desinformação, apagamentos e frases de efeito. Alguns exemplos: “Divulgue antes que seja proibido”, “Eles não querem que você saiba disso”, etc. Entendeu?

A não ser que você seja do tipo que conversa com cavalos, pense duas vezes antes de visitar as Fake Islands.

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