A chuva dá fome, não tenho dúvidas. Começa a chover e as pessoas entram num boteco, numa lanchonete e pedem alguma coisa para comer. No restaurante, para quem ainda cultiva esse hábito, se a chuva te pega no meio da refeição, o jeito é pedir mais um prato. Muitos vão ao supermercado maldizendo a chuva, mas enchem o carrinho. Há algum motivo para contentamento nesse momento crucial, que é fazer compras com a chuva molhando meio mundo?
Quando a chuva despenca lá fora, não pense em sair para passear nem fazer atividades ao ar livre, corridas, caminhadas ou, simplesmente, ler o jornal sentado no banco da praça. Os motivos são vários: o banco estará molhado, ninguém mais lê jornais impressos, as praças não têm bancos adequados à leitura e é arriscado ler notícias no celular. Se não te roubam o celular, roubam seu tempo, pois você vai se perder nas entranhas das redes sociais.
Nas cidades onde ainda sobreviveram cinemas, uma boa opção é convidar alguém para assistirem juntos ao último filme. É pegar ou largar. Com um pouco de sorte, ao final da sessão, a chuva parou ou deu uma trégua.
Se vai sair para trabalhar, visitar clientes ou namorar, não vá sem o guarda-chuva. Vê se não esquece esse importante acessório pendurado na cadeira do boteco quando a chuva passar. Nem na sala do cinema. Uma vez perdido, é quase impossível recuperar. Certas coisas nunca mudam. Talvez, no dia em que inventarem chips para guarda-chuvas…, mas antes os burocratas vão dar um jeito de implantar chips nos humanos. Nesse momento, cães e gatos estão servindo de cobaias. Se der certo, você já sabe qual será a próxima etapa.
Tomara que inventem chips à prova d’água. Já pensou como será desagradável ir ao cartório para implantar um novo chip a cada chuva torrencial? Sem contar o preço dessa nova engenhoca dos diabos. Só pode ser invenção do demo. Se as chuvas bravas molham até a alma, o que não vão fazer com o chip implantado em nossos frágeis corpos, que não podem mais se molhar? Saudades do tempo em que minha tia me vigiava pra eu não tomar sereno. Nunca passou pela cabeça dela que um dia, quando eu apontasse o nariz no rumo da porta, ela fosse me perguntar: “ativou seu chip?”, ou coisa parecida. Deus a tenha! Essa preocupação ela não teve enquanto viveu. Teve outras, como saber se o doce de leite estava no ponto ou quantos ovos iria precisar para fazer uma fornada de pão de queijo.
Nesses dias de verão, já pensaram em como seria bom poder ficar na varanda vendo a chuva cair e comer quitandas saborosas? Em dias de chuva, tão bom quanto saborear um pãozinho de queijo é ler um livro, de preferência um romance. Chove chuva!