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Os sem-noção

Renato Muniz B. Carvalho
Publicado em 09/02/2026 às 17:49
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As férias chegaram ao fim. Fevereiro avança firme, consolidado, talvez nem tanto. O carnaval vem logo ali, quebrando o mês ao meio. Com o fim das férias, as crianças voltam para as escolas, as mamães e papais voltam ao trabalho e à rotina. Minha preocupação é com os sem-noção. Para onde vão? O que deixaram para trás? O que vão aprontar nos feriados e nos finais de semana durante o ano?

Antes de continuar, devo esclarecer que sou plenamente favorável a eventos do tipo férias, feriados e finais de semana. Quer saber? Acho que devia ter mais. A gente tem que descansar, relaxar numa praça sossegada, curtir uma praia, um passeio numa área de mata, rios e cachoeiras. É uma questão de saúde pública. Essas coisas fazem falta.

Férias e feriados são um convite à leitura, são ideais para visitar os amigos e amigas, os parentes, fazer viagens para conhecer lugares novos, ir ao cinema. Tem coisa melhor do que colocar um disco na vitrola, deitar na rede e pegar um livro para ler? Não tem, eu garanto! Vamos lá, sabe aquele calhamaço cuja leitura você está adiando? A hora é agora, sem culpa nem desculpas. Pena que as férias acabaram. Fica para as próximas, mas já vai separando os livros e discos.

Vocês acham que um sem-noção pensa nisso? Qual o quê! Os indivíduos dessa espécie pensam é na bagunça, na bebedeira, no barulho que vão fazer na cabeça de quem quer repousar. Será que estão preocupados com o lixo que deixaram pelo caminho? Que ilusão! Só vão perceber que beberam demais quando forem parados na blitz da fiscalização do trânsito.

Estão preocupados com as fezes do cãozinho que foi obrigado a ir com a “família” para a praia? Sabem que cães não devem frequentar praias? Estão preocupados com o lixo que entornou da lixeira, deixando restos de comida, sacolas, tampinhas, bitucas de cigarro, embalagens de comida ultraprocessada e brinquedos de plástico quebrados, entre outros resíduos, espalhados nas ruas, praias, rios e estradas?

Na sua concepção, os sem-noção aproveitam o espaço público conforme sua visão de mundo, muitos são egoístas, o resto que se dane. Acham ruim ter de ouvir alguém falar de aquecimento global, mudanças climáticas e outras “chateações”. Desligam a TV à simples menção dos massacres em Gaza, às violações internacionais, à violência contra populações civis, ao desrespeito ao direito internacional. Brigam por política e incentivam o ódio; justificam-se dizendo que é sua opinião e “ninguém tem nada com isso”.

Como parar um sem-noção? Brigando e batendo boca não vai dar certo. Eles são inconvenientes e teimosos, acreditam em qualquer vídeo da internet, acham que seu estilo musical preferido agrada a todo mundo. Se não agrada, aumentam o volume. Eis um fenômeno típico dos tempos atuais, que tem dado respaldo aos autoritarismos, à ignorância e ao desrespeito à convivência humana.

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