ARTICULISTAS

Prisões e prisioneiros

Renato Muniz B. Carvalho
Publicado em 27/01/2026 às 12:23
Compartilhar

Vivemos um tempo de prisões, e elas são várias, de diferentes tipos. Já foram chamadas de masmorra, de cadeia, calabouço, cárcere, casa de detenção, penitenciária, presídio. Talvez você conheça outros nomes. Como esta não é uma coluna de assuntos jurídicos, sinta-se livre para concordar, discordar e comentar.

Mesmo que você esteja desimpedido e solto, pode ser que esteja prisioneiro de alguma circunstância, de um medo ou de algo que você nem saiba. Um lado terrível das prisões a que nos submetemos é estar preso e sequer se dar conta disso.

Prisioneiros, por mandado judicial ou não, podem cumprir penas em diversos lugares, sejam celas, clausuras, cubículos, gaiolas, jaulas — o povo é criativo ao tratar de um tema complexo, carregado de nuances, questionamento da justiça, etc. —, até dentro de si mesmos.

Prisões também são conhecidas como xadrez, xilindró, cana, dependendo do freguês, sejam as penas justas ou injustas. Em alguns casos, prisão domiciliar, regime aberto ou semiaberto, entre outras modalidades. Triste é constatar que o preconceito de classe e as desigualdades sociais determinam quem deve cumprir pena, muitas vezes em condições precárias, degradantes.

Historiadores já expuseram os horrores das prisões antigas, de onde poucos saíram vivos. Muitos castelos medievais tinham suas próprias celas, locais de suplícios, abusos e torturas — tem quem goste da ideia. Algumas prisões ficaram famosas: a Bastilha, na França, tomada e destruída pela população revoltada, em 1789, no que foi considerado um evento marcante nos processos históricos relacionados à Revolução Francesa. O efeito, digamos, didático da “Tomada da Bastilha” acelerou a Revolução.

Outras ficaram famosas por motivos variados: Alcatraz, na Califórnia, EUA, foi uma delas; depois, virou atração turística. Robben Island, na África do Sul, onde esteve preso Nelson Mandela, por 18 anos. A de Ushuaia, na Argentina, hoje é museu, conhecido como o Presídio do Fim do Mundo. Antes museus do que prisões. Tivéssemos mais museus, não teríamos tantas prisões. Elas carregam histórias tristes, de injustiças e violências, mesmo sabendo que alguns merecem pagar por suas ações nefastas. Passou da hora de discutir de forma mais adequada a questão, mas o pensamento conservador se recusa.

Massacres em prisões foram muitos, como o da Colônia Correcional da Ilha Anchieta, em Ubatuba-SP, em 1952. Foram mortos mais de cem detentos, ressalvando-se que o número não é oficial. Outro massacre que abalou a sociedade brasileira foi o do Carandiru, em 1992: 111 presos mortos.        

Na atualidade, muitos prisioneiros estão cercados por muros mais altos do que os das masmorras medievais. São prisioneiros de ideias arcaicas, carregados de ignorâncias, responsáveis por relacionamentos abusivos. Mentes retrógradas, recusam-se a imaginar o futuro, muitos estão em celas imaginárias, internalizadas.

Um tipo de prisioneiro curioso é aquele que aprisiona a si mesmo. Fechado em seu mundinho, nega-se a sair do seu casulo, não frequenta eventos culturais, não viaja, não busca novos horizontes intelectuais. Talvez seja o pior tipo.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por