ARTICULISTAS

Quer saber?

Renato Muniz B. Carvalho
Publicado em 15/06/2026 às 18:35
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Quer saber? Eu não sei de nada. Confesso minha mais profunda ignorância a respeito de quase tudo. E não me envergonho, não vou me esconder por conta disso, não vou me trancar dentro de casa e deixar o imobilismo e a depressão tomarem conta. Também não vou sair por aí me vangloriando por carregar tanto desconhecimento, tanta inépcia e incapacidade em vastos setores da vida. Chega um ponto da nossa trajetória em que é melhor assumir que pouco sabemos, que alguma falha teórica não é burrice nem estupidez.

Eu não sei tocar violão e fico triste com essa minha falta de jeito com as cordas desse simpático instrumento musical. Não saber dedilhar as tais cordas, fossem seis ou mais, fez-me falta, principalmente na adolescência. Imaginem uma rodinha na praia, o anoitecer chegando, todo mundo alegre, início das férias, e eu sem saber tocar violão, muito menos violino ou contrabaixo. Contratei professor particular, apelei para os amigos, mas foi inútil, das minhas mãos nunca saiu uma melodia inteira, nem meia, sequer uma introdução.

Tentei tocar flauta, tambor, triângulo, arrisquei uma gaitinha, sanfona, flauta de caule de mamão, de bambu, e nada. Ainda se apito fosse instrumento musical… ou é? Como músico, concluí que sou um bom ouvinte e ponto final. Tem hora que é melhor reconhecer a própria inaptidão e partir para cavalgar os campos da ingenuidade e da falta de sabedoria com humildade. O cuidado é não se deixar levar pelo mau humor nem cair na casmurrice.

E a trigonometria? Como vocês se ajeitam com esse ramo da matemática? No meu tempo de estudante, eu sentia dor de barriga só de pensar nas aulas. Seno, cosseno e tangente me apavoravam. Cada vez que a aula terminava, eu me sentia um palerma. Ora, com 14 anos, eu estava preocupado com as festinhas do final de semana, em como iria pedir em namoro aquela menina da outra turma, ficava ansioso para passar na banca de jornal e comprar minha revistinha favorita de faroeste. E vocês? Não venham me dizer que estavam preocupados com o círculo trigonométrico. Eu achava que tinha coisas mais importantes para resolver do que o Teorema de Pitágoras. Só sabia que não sabia de nada.

Se alguém não sabe, melhor ficar quieto ou tentar aprender. Prefiro a velha história: se não sabe, descubra, investigue. Sim, tem certas coisas difíceis de entender, mas não é por isso que vamos nos contentar com a nossa incompetência. Se vira!

O que fazer? Seguir em frente, seja nos números ou na política, tentar encontrar o que querem esconder da gente, desmascarar as mentiras que nos contam e desarmar as armadilhas que surgirem pelo caminho. Nesse ponto, a matemática é o menor dos nossos problemas. Quer saber? Enfrente os que se julgam espertos, os que fazem das artimanhas seu modo de existir. Olho vivo, meus caros!

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