Em breve, superaremos um dos maiores desafios tecnológicos contemporâneos: a obtenção de energia limpa e virtualmente infinita. A fusão nuclear é o caminho que, fatalmente, nos levará a esse patamar. Como repercussão imediata, as demandas de processamento de dados poderão ser atendidas em qualquer escala, e a computação quântica, sem barreiras práticas, passará a ser o padrão. Esse cenário catapultará a ampliação da inteligência artificial e a capacidade de tomada de decisões a níveis nunca vistos.
É razoável supor que, em ritmo alucinante, chegaremos a soluções antes inimagináveis. Vencer a morte, seja pela nano robótica, pela bioengenharia de órgãos ou pela transferência da consciência para suportes digitais, será apenas uma delas. Citei a barreira da morte como exemplo, mas poderia navegar por outros dilemas igualmente intrincados: o domínio da consciência e a compreensão profunda do universo.
É um mundo novo. Estamos prestes a avançar um século em uma única década. É impossível “chutar” resultados socioculturais precisos; as narrativas é que guiarão esse capítulo. O que se pode prever, no entanto, é uma humanidade tecnologicamente muito mais azeitada para enfrentar os desafios históricos que a assombram há milênios.
Resta saber qual dos arautos desse futuro terá razão sobre os desdobramentos: Kojima e sua “solidão imensa”? Kurzweil e seu otimismo franco sobre a Singularidade? Bostrom e os riscos do desalinhamento ético? Harari e o governo dos algoritmos? Ou McLuhan e a perspectiva de uma catástrofe final?
As narrativas de que estaríamos trilhando um caminho inevitável de autodestruição carecem de base lógica. Desvendar e resolver são, em última análise, sinônimos de evoluir. Certamente, boa parte daqueles que testemunharem essas mudanças tenderá ao pessimismo ou à crítica ácida. Contudo, basta olhar para a História: nenhum grande avanço chegou sem os seus arautos do caos.
Ao processar as previsões desses pensadores em uma IA avançada, obtive uma “data média” para essa grande virada. O ano apontado foi 2035. O choro é livre, mas o avanço é inevitável. É esperar para ver.