Uma comparação sucinta entre duas cidades mineiras
de populações semelhantes
Na última atualização censitária do IBGE (2025), Uberaba, no rico Triângulo Mineiro, contabilizava 356.781 habitantes. Sua prima pobre, Ribeirão das Neves, região metropolitana de BH, apontava 346.971 almas. Ou seja, Uberaba contava com 10 mil habitantes a mais.
Existe uma desproporção muito grande entre as duas quando se fala em área territorial. Enquanto Neves se enquadra dentro de 155 quilômetros quadrados, Uberaba é um município bem mais amplo, com pouco mais de 4.500 quilômetros quadrados. Cabem 30 Neves dentro de Uberaba.
A proximidade com Belo Horizonte gera um “desvio maléfico” na contagem de eleitores. A estatística entre as duas cidades mostra Uberaba com 238 mil e Neves com 213 mil votantes. Aqui a diferença entre as duas já sobe para 25 mil a favor de Uberaba.
A mesma proximidade com Belo Horizonte também sacrifica Neves, que acaba tendo seus eixos de desenvolvimento sugados pela metrópole. Isso afeta não apenas o comércio local como também a atração de indústrias, com o agravante de Neves ter uma concorrente de peso (Contagem) como vizinha “de meia-parede”. Uberaba, claro, também tem sua vizinha incômoda... mas não é de parede-meia!
Com isso, voltando à comparação entre as “primas”, o município de Uberaba entrou em 2026 com um orçamento administrativo (LOA) previsto em 2,7 bilhões de reais ao passo que Neves estimou apenas 1,6 bilhão. Por isso, na análise da renda “per capita” de cada município, a diferença fica gritante. Enquanto Uberaba ostenta R$1.939,00 por habitante, Neves fica com R$353,82.
Famosa por sua imensa população carcerária, uma “tradição” de gosto discutível, Ribeirão das Neves colhe uma vantagem sobre Uberaba. A “percepção de segurança” é melhor na prima pobre. E isso se explica por um fato curioso: essa imensa população carcerária (cerca de 10,5 mil presidiários) atrai uma população extra para Neves, de parentes e familiares de apenados. Isto, por mais paradoxal que pareça, torna a cidade mais segura. Na explicação prosaica de muitos moradores: – “Aqui ninguém mexe com ninguém”.
No desenvolvimento econômico, Uberaba vem, nos últimos anos, se dedicando a dar ampliação a seus distritos industriais (que já chegam a cinco) e se esforçando bastante na promoção de fontes alternativas de renda, como polos de inovação tecnológica.
Após investimentos maiores, realizados na administração da atual prefeita, a arquiteta Elisa Araújo, que está em seu segundo mandato, Uberaba foi premiada pela Unesco com o título de Geoparque Mundial. Elisa tem se esforçado no aprimoramento do turismo como ferramenta de arrecadação de divisas.
Neves, na sua ferrenha luta por desenvolvimento, apenas nos últimos anos vem batalhando por fontes alternativas de divisas. Cumprindo um mandato de oito anos consecutivos, seu último prefeito, um professor secundário, Moacir Martins Júnior, implementou novas políticas de desenvolvimento no município, iniciando por uma reestruturação total da infraestrutura urbana.
Foram pavimentadas cerca de 500 ruas e avenidas e implantada uma nova entrada para a cidade, a moderna avenida Eduardo Brandão, com quatro pistas, iluminação e canteiro central. A cidade teve a iluminação de todas as suas ruas modernizada com lâmpadas de LED e, aos poucos, a resposta aos investimentos estão surgindo, com a chegada de novas empresas.
Semelhantes na população e no comportamento amistoso de seus habitantes, Uberaba e Neves se distanciam bastante em outros aspectos. Separadas pela BR-262 por cerca de 500km, elas apresentam uma outra distância menos tangível: Uberaba já vai trilhando sua história há mais de 200 anos, ao passo que Neves, recentemente, comemorou seus 72 anos de existência.
São duas cidades mineiras buscando cada qual o seu destino.
Tharsis Bastos