ARTICULISTAS

Em nome dos nossos mortos

Tharsis Bastos
Publicado em 05/03/2026 às 18:11
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Final da avenida da Saudade. Encontrei um tempo para, com calma, fazer uma visita aos meus três antepassados que repousam no cemitério municipal. Levo uma trava amarga na boca porque, na última vez que ali estive, precisei buscar uma forma de substituir todas as fotos e todos os escritos que havia no túmulo. Eram adereços em bronze e tudo foi arrancado por “noias” sedentos em busca do metal.

Dessa vez, com mais tempo, decidi fazer um breve passeio pelo local. Que absurdo! Incentivados pelo silêncio dos que não podem mais reclamar, os vândalos simplesmente devastaram todo o cemitério. Molduras de fotos, frases saudosas, identificação de nomes e datas... tudo arrancado, vandalizado, criando em nós, que ainda estamos vivos, um sentimento amargo que mistura injustiça com impotência.

Decidi pesquisar um pouco a respeito e as informações que tive, de gente que ali trabalha limpando túmulos e funcionários da administração, é que já faz muito tempo que nosso cemitério convive com esse vandalismo. O bronze das sepulturas rende alguns gramas de cocaína, maconha, anfetaminas... Fiquei imaginando se todos os familiares de gente ali sepultada sentem o mesmo grau de injustiça e raiva que senti.

Minha cara prefeita Elisa Araújo e meus caros senhores, responsáveis pela manutenção de nosso campo santo: A ópera de Dom Quixote tem uma frase que vocês precisam adotar. “Lutar, quando é fácil ceder!” Tenho certeza de que existem soluções para o problema. Aliás, os problemas só existem porque há soluções para eles. Se as soluções não existissem, não existiriam os problemas!

Eu penso que a primeira delas é o Município arcar com os prejuízos que proporcionou a tantas famílias, sem zelar com eficiência pelo patrimônio que está sob sua custódia. Iniciar um grande mutirão de chamamento dos familiares e, seguindo a orientação deles, reparar cada túmulo devassado. Ou pagando, ou concedendo isenção de algumas taxas ou impostos. JEITO TEM!

Depois, com a facilidade tecnológica que temos hoje, dotar o cemitério de uma varredura total de imagens por câmeras, que inibem a ação de vândalos. E, além disso, colocar nossa querida Guarda Municipal para trabalhar no local, em plantões de 3X8 horas. Com motos ou triciclos, dois ou três guardas fazem tranquilamente a ronda no local. O que estou querendo dizer é que: JEITO TEM! Mas é necessário QUERER FAZER.

Tenho certeza de que centenas de famílias de Uberaba saberão reconhecer qualquer medida tomada neste sentido. E em nome de seus entes queridos, que ali repousam e não podem se queixar, saberão agradecer e aplaudir as medidas.

Sei que Uberaba já possui um segundo cemitério (Candongas). Eu não o conheço e não sei se a situação por lá é a mesma, o que sei é que algo precisa ser feito.

Por favor, respeitem nossos mortos! Façam algo, com urgência!

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