Esse mistério indecifrável chamado: “vida”, com tudo o que ela envolve, traz centenas de perguntas à mesa sem oferecer nenhuma resposta.
Malgrado o esforço da inteligência humana, os pontos fulcrais da existência permanecem absolutamente desconhecidos.
Quando o assunto se estabelece na roda, a maioria das pessoas, ditas “práticas”, costuma se levantar da mesa. Uns vão lavar o carro, outros levar o cachorro para fazer xixi. Felizmente, sempre sobram dois ou três que se aventuram no escuro e, graças a esses, vamos aprendendo um pouco mais do caminho.
Já aprendemos que estamos girando em um pequeno planeta, preso a uma cadeia de forças gravitacionais, em um universo que se divide entre o perfeito equilíbrio dos corpos e a sua fuga acelerada rumo ao infinito.
O tempo, essa invenção humana, deixa de ser referência quando observamos tudo isso de forma ampliada. A partir de certo ponto, nada entendemos.
Aprendemos muito sobre o que ocorre na Terra e até mesmo no sistema que a abriga. Aprendemos que as estrelas possuem um ciclo de vida semelhante ao nosso: nascem, evoluem, envelhecem e morrem.
Para o universo como um todo, a vida de uma estrela certamente é ínfima. Já por aqui, podemos calcular em milhares de bilhões o número de seres humanos que nascerão e morrerão antes que ela pereça.
Alcançamos avanços significativos em termos de conhecimento. Não é exagero prever que, até o final deste milênio, teremos alguns planetas colonizados, talvez até em outro sistema estelar.
É provável que, por meio dos avanços biotecnológicos ou das inovações genéticas, alcancemos a imortalidade. O que não podemos afirmar, nem mesmo prever, é quando dominaremos o conhecimento real desse fenômeno chamado existir.
É estranho, e até um pouco constrangedor, constatar que, diante de tantos avanços e de tamanha carga de conhecimento acumulado, ainda não consigamos sequer imaginar com precisão onde vivemos.
A única certeza que temos é que sempre haverá aquela parcela da humanidade, irrequieta, curiosa e imaginativa, que não descansará enquanto não obtiver todas as respostas. Mas este “quando” permanece envolto no mesmo mistério que buscamos desvendar. É apenas mais uma incógnita entre tantas.