Vamos colocar as coisas às claras. Sabe por que o famoso “Sr. Sidney, da Ultrafarma”, foi pego em flagrante, pagando propina de 250 mil a fiscal da Receita? – Porque ele é apenas mais um entre os milhares de empresários brasileiros que já enxergaram o óbvio. Nós não vivemos em um país, vivemos em um ajuntamento de terra onde a balbúrdia, a esbórnia, a avacalhação da lei já se tornaram atitudes de praxe.
O “Seu Sidney”, aquele da TV, não estava fazendo nada mais que reproduzir o filme que nos é passado todos os dias pelo andar de cima. Só para citar alguns (poucos) exemplos, temos filho de presidente recebendo mesada de ladrão do INSS; temos juízes de Suprema Corte, um comprando resort milionário ou outro, com esposa contratada por 3,9 milhões ao mês; temos ex-ministro da mesma Suprema Corte comprando imóvel de quase 10 milhões de reais enquanto ainda era também, ironicamente, ministro da Justiça. Logo da Justiça!
São exemplos apenas das esferas do Executivo e do Judiciário. Se formos estender para os lados do Legislativo, não haveria espaço suficiente neste nosso valioso JM. Chegamos a um ponto em que, atualmente, há como que uma disputa nacional para ver quem consegue cometer a mais criativa falcatrua. Desde o roubo descarado dos cofres públicos (o governador do Acre é a notícia de ontem) até a contaminação de bebidas com etanol, matando consumidores...
É a bandalheira no andar de cima, esses exemplos vexaminosos, que leva o empresariado brasileiro a se conspurcar igualmente ou, como vemos diariamente, a fugir do “ajuntamento vergonhoso”, rumando para o Paraguai ou praças alhures. Profetizado décadas atrás pelo brilhante Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), chegou o tempo que ninguém queria. “Instaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos!”. Parece-me que o ajuntamento, antes chamado Brasil, optou pela segunda alternativa. Triste.