Fim de férias e carnaval, os times compostos por educadores e alunos entram em campo na escola e, na sala de aula, os gols serão feitos a favor ou contra os alunos! Nesta batalha, espera-se comprometimento e entusiasmo de todos. O educador deve ter convicção de que pode colaborar como mediador no processo de aprendizagem dos alunos, respeitar o tempo individual de cada um, acolher sem rotular, estimular com palavras positivas e ações práticas a busca pelo conhecimento e humildade para se alcançar a educação.
Diante da presença das novas tecnologias de informação e comunicação, a teoria deve ser complementada com imagens, sons, movimentos, desafios para reflexões. Quem é este super-herói? O educador é alguém que tem vocação e competência para ensinar o saber para viver aos seus alunos, além de conteúdos curriculares próprios de sua formação acadêmica e de se cuidar.
Em turmas de anos finais do Ensino Fundamental, por exemplo, em roda de conversa com alunos, uma vez por semana ou quando surgir uma dúvida diante de determinado comportamento, o educador se propõe a mediar conflitos provenientes do relacionamento humano: explica que não há pessoa certa para conviver com outro que deve ser respeitado em relação às diferenças; considera que cada um precisa viver para se tornar uma pessoa maravilhosa para si mesmo. E, à medida que isto se realiza, reverbera para todos em convivência.
Porém, continua o “mestre com carinho”: corpo físico e mental e trabalho psicológico individual podem ter a necessidade de um parceiro, porém não a alma – sede da individualidade. Em um relacionamento, a motivação pode cultivar o próprio olhar sobre determinada pessoa, independentemente de sua existência real. É ilusória a crença de que há um ser humano feito para o outro! Há a possibilidade de crescimento que ambos podem se proporcionar. Para finalizar, pondera, ainda, sobre o caminho para a conquista do êxito profissional, amoroso e familiar, como construção, sobretudo, individual. Assim, é libertador de preconceitos ensinar adolescentes a não procurar por um ser semelhante para bem conviverem!
Entre tantos exemplos, questiona-se: o educador está preparado para o aluno de hoje?
Em qualquer momento do processo de ensinar e aprender, não somente em aula de Língua Portuguesa, é possível ensinar sobre a solidão. Não se espera pelo estudo da obra “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, para refletir com os alunos sobre a compreensão da solidão como oportunidade para adquirir independência e coragem diante de desafios: “Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”. Ou seja, o educador abre a porta do aprendizado a partir da percepção da tristeza em determinada criança ou adolescente, como chave para o estudo do autoconhecimento e da responsabilidade por encontrar em si a causa de sua tristeza, sem a busca pela responsabilidade externa ou a autovitimização. Compreender a decepção ou a perspectiva irreal que se faz perante a limitação alheia é aprendizado para a vida que colabora para minimizar inúmeros conflitos.
Outra ação essencial para que ocorra a mudança de olhar do educador em direção ao acolhimento dos alunos é a sua participação em formações continuadas em serviço, organizadas em momentos para exploração de temas que sejam utilizados, também, para abordagem e prática de valores humanos e saúde mental, em qualquer tempo dentro dos diversos espaços escolares. Estes temas transdisciplinares perpassam e unem todos os conhecimentos que têm por base as necessidades humanas que variam de acordo com cada indivíduo na situação contemporânea: um irá bastar-se consigo mesmo enquanto outro precisa de apoio externo para não se desestruturar.
Não é ingenuidade esperar pela formação de educadores e alunos com olhares amorosos e, por conseguinte, estruturar o ambiente escolar, familiar e comunitário em uma corrente de amor.