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Era uma vez e ainda é...

Vânia Maria Resende
Publicado em 20/10/2026 às 18:14
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Nestes tempos em que os rabos crescem desproporcionalmente e vão se embaraçando uns nos outros, o livro infantil “Uma história de rabos presos”, de 1989, de Ruth Rocha, não é só para criança. O enredo é uma sátira atual do poder degradado de instâncias e figuras políticas; diverte também os adultos, com um riso que faz pensar. Crítica é arma poderosa, capaz de pôr a realidade a nu e desmascarar a hipocrisia de farsantes, falsos moralistas, corruptos que se passam por mocinhos, patriotas e cidadãos de bem. Essa arma auxilia o eleitor na escolha do presidente do Brasil no próximo dia 25, segundo o critério de passar a limpo o histórico político de cada candidato e ter resposta às perguntas: O que fez ou deixou de fazer para o bem-comum? Exerceu com ética a Política como boa governança para todos ou usou o cargo para seus interesses?

Entre 2019-2022, cidadãos sensatos foram afetados pela banalização do mal: apologia de ditadura, tortura, força bruta, liberação de armas; desprezo pela inteligência; performance debochada e comportamento rude de extremistas: políticos, seus apoiadores e certos ocupantes de cargos no governo. O mandatário máximo não teve empatia com a morte dos mais de 700 mil brasileiros que se foram na pandemia, não dirigiu uma palavra de conforto às famílias dos mortos; e em meio à tragédia fez a defesa de que a população se imunizasse com o vírus da Covid, incentivou o uso da cloroquina e o não uso da vacina e da máscara. Com novo governo a partir de 2023, o ar deixou de ser tóxico e a estabilidade foi restituída.

À ultradireita eleita agora para o Congresso se deve contrapor a resistência de um presidente que não represente autorização para violência, ódio, devastação ambiental, no endosso da necropolítica. A base do projeto em desenvolvimento hoje no Brasil é a valorização da vida, mesmo sujeito a crítica, correção, ajustes, ampliação de propostas em função de exigências atuais; preza a soberania nacional e a defesa de recursos naturais do país. O presidente é um líder com autoridade respeitada, tem diálogo diplomático, inclusive internacional.

Diálogo diplomático não faz parte da biografia do outro concorrente a presidente; seu contato bilateral e submissão aos Estados Unidos já foram estabelecidos previamente. Ele faz a duvidosa promessa de mudança, com retórica que não convence. Isto porque encarna a própria força conservadora e o que há de velho e pior na política: compromisso com anistia para quem planejou golpe contra a democracia e que seria seu conselheiro na hipótese de se eleger; ligação com milicianos, que ele condecorou quando deputado estadual, e com políticos corruptos do Rio; recebimento de “patrocínio” do criminoso Vorcaro com milhões, o que ele não assumiu de início e cuja destinação não esclareceu até aqui. Eis aí três incongruências também com a sua bandeira de “segurança pública”.

Precisamos de quem leva o Brasil a sério. O atual presidente já provou isso em suas três gestões, inequivocamente democráticas (não comunistas, como querem alguns). Com trabalho incansável para o desenvolvimento humano, social, ecológico, ele investiu em cultura, saúde, educação, ciência, energia renovável; na abertura de mais mercado internacional para produtos brasileiros; no combate ao desmatamento; respeitou as crenças religiosas e o estado laico, defendeu indígenas e seus territórios, minorias e vulneráveis; empenhou-se e conseguiu  a aprovação do fim da escala 6x1 em 14/10/2026. Foi no seu governo que se desmontou a fraude no INSS, iniciou-se a investigação da corrupção do Master e esse banco foi liquidado.            

A nação brasileira e seu povo não podem voltar ao estágio sombrio dos quatro anos do descalabro de ultradireita. Esse período está escrito na história do país com a cor da degradação e de retrocessos com perda de direitos humanos, opressão, negacionismo, naturalização do preconceito, elogio e culto da ignorância, desprezo por livros, mortes. O regime de civilidade atrela a liberdade à dignidade dos cidadãos, para que não façam escolha absurda e insensata pela servidão. Como a que mostra já no século XVI Étienne de La Boétie, na obra “Discurso da servidão voluntária”: “O país não precisa esforçar-se para fazer algo em seu próprio benefício, basta que não faça nada contra si mesmo. São, por conseguinte, os próprios povos que se deixam, ou melhor, que se fazem maltratar, pois seriam livres se parassem de servir” (Editora Martin Claret, p. 36).

Vânia Maria Resende

Educadora, doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa    

        

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