Como é bom a ver voltar para casa! Sim, é maravilhoso. Mesmo já sabendo que saiu na lógica...
Como é bom a ver voltar para casa! Sim, é maravilhoso. Mesmo já sabendo que saiu na lógica de que em algum tempo irá voltar, que foi ver outras coisas e ampliar seu agir. Quando vai deixa o vácuo da ausência, pela privação que traz. No entanto, quando volta, quando passa o batente da porta para dentro, e entra no peito de novo, chegando ao acaso, ao seu modo, tão natural, como que não tivesse ido, voltando suave, sem noção da carência causada, é como o renascer da luz ao amanhecer, é como a volta do dia que foi, indiferente, na certeza de renascer. Nada mais espontâneo, original, vibrante. Mas ela vai e volta quando quer, nesse seu cuidadoso capricho que lhe dá o valor de ser.
Ocorre que o seu sair traz o frio, tira o aconchego, impõe a escuridão, que faz pensar e refletir na importância da luz que falta. As fotos, retratos espalhados, os pertences, o cheiro, as marcas que deixa, são como a lembrança do brilhar da luz, porém na escuridão, estrelas vivas, com a maravilhosa recordação de que a claridade existe, embora no momento esteja longínqua. Na sua ausência, há sempre a dor pela distância e o medo do fim, o receio de que não volte, ou do próprio perecer antes do seu retorno. O temor de não mais revê-la é dor gigante.
Então, quando abre-se a porta e ela volta, penetra na alma, é a própria luz que retorna. O sabor da boa vida que renasce. Afinal é ela a meta que promove a esperança em todos. Que falta sua ausência impõe!
Seu nome? Seu nome é alegria!
(*) Juiz de Direito