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Bola que nasce, bola que renasce

Pertenço à legião de brasileiros que ama o futebol. Isso me deixa à vontade para manifestar as ideias que tive ao acompanhar o Campeonato Paulista...

Ismael de Oliveira
Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 13:04
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Pertenço à legião de brasileiros que ama o futebol. Isso me deixa à vontade para manifestar as ideias que tive ao acompanhar o Campeonato Paulista, agora na reta final, com a decisão entre Santos e Corinthians, especialmente o sucesso de Ronaldo Fenômeno, contratado pelo Coringão, e a revelação de Neymar do Santos.  Humildemente acho que Ronaldo, hoje com 32 anos, tornou-se um jogador europeu. No Brasil, ele jogou entre os 15 e 17 anos, pelo Cruzeiro. Após a Copa do Mundo de 1994 fez carreira na Holanda, na Espanha, na Itália.   Neymar, aos 17 anos, inicia aqui a sua história no futebol. Para mim, o futebol é a arte brasileira mais desenvolvida, quando consideramos o que ocorre no gramado. Ideal, portanto, seria que um artista fenomenal como Ronaldo nunca tivesse saído do Brasil. O ideal é que uma promessa como Neymar continue jogando em nossos times. Nos países mais ricos do mundo, o esporte é hoje a vanguarda do show business. Para cada Madonna, os americanos geram 50 fortunas maiores na indústria do show business esportivo.    Agora imaginem se os Estados Unidos, o país mais avançado na indústria cinematográfica, a partir de certo momento passasse a exportar as maiores estrelas de Hollywood, para trabalhar no exterior. O que ocorreria se ao invés de importar Antônio Bandeiras e Penélope Cruz, ou mais antigamente Greta Garbo e Charles Chaplin, Hollywood exportasse seus atores mais talentosos? O cinema dos EUA minguaria e logo os importadores ganhariam corpo e qualidade para superar a sua indústria cinematográfica. É isso o que vem ocorrendo há anos com o nosso futebol. Nossos campos servem para criadouro da matéria-prima jogador de futebol. Mal eles amadurecem e são comprados por grandes clubes do exterior. Esse tráfico de homens, que lembra os navios negreiros da escravidão, alimenta um negócio de bilhões de dólares no exterior, no qual o preço do passe é apenas uma fração. Por aqui, deixa um rastro de transações obscuras, que driblam os impostos e acabam não gerando riqueza. Além de empobrecer uma rica indústria que se confunde com a essência da identidade brasileira, tais negócios geram até casos dramáticos, como o revelado no comovente depoimento do jogador Adriano, da Inter, da Itália. Ele descreve o impacto destrutivo de deixar ainda adolescente sua humilde casa e cair, despreparado, no meio de um circo global. A realidade é que mais e mais brilhantes artistas da bola desaparecem dos campeonatos brasileiros, entre eles Ronaldo, que se foi e felizmente voltou para brilhar, e Neymar, que acaba de nascer. Desejamos vê-los por muitos anos em nossos gramados.   Os frutos positivos já revelados na venda de mais ingressos, de camisas oficiais e de patrocínios maiores parecem indicar um caminho virtuoso. O do futebol brasileiro retendo craques, para com isso garantir espetáculos ainda melhores em nossos estádios e nos campeonatos locais. Assim, o Brasil poderá voltar a ter, às vésperas de sediar uma Copa, o melhor futebol do mundo jogando em seus gramados.

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