Imaginem só a seguinte estória: João Silva, um funcionário recém-empregado
Imaginem só a seguinte estória: João Silva, um funcionário recém-empregado, com renda de dois salários mínimos mensais, promete à esposa e aos dois filhos que, nos próximos quatro anos, irá comprar uma casa, em condomínio fechado, no valor de um milhão de reais; mobiliário no valor de R$100.000,00 (cem mil reais); dois carros zero-quilômetro, no valor de R$60.000,00 (sessenta mil reais), cada, e aos filhos a garantia de colégio particular de alto nível, incluindo aulas de esportes, danças e idiomas para cada, além do melhor plano de saúde para todos.
Não precisa alongar muito para provar que o desejo de alcançar tal meta por meios lícitos e idôneos, apenas com o salário que recebe, é absolutamente impossível, já que durante estes quatro anos, ou 48 meses, sua renda total dificilmente será capaz de superar a quantia de R$90.000,00 (noventa mil reais).
Pode parecer absurda, mas tal comparação com as promessas de campanha política brasileira em nada se distancia, ou seja, o que assistimos são promessas políticas de ações dignas de países de Primeiro Mundo, mas que nem de longe são capazes de ser cumpridas face à existência de orçamentos públicos deficitários.
Como seriam as campanhas políticas com base nos orçamentos negativos que lhes são apresentados?
Ora, em nível federal, o orçamento de 2016 apresenta déficit de 30 bilhões de reais, sem contar, ainda, com dívidas equivalentes a 140 bilhões de reais, propositadamente omitidas e, agora, descobertas pelo Tribunal de Contas da União, através de pedaladas fiscais, ato considerado crime de improbidade administrativa, especialmente pela prática de atos que atentam contra os princípios da administração pública e violem os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições.
O pior de tudo é que, mesmo com a balança comercial apresentando saldo positivo em 2015, com projeção de fechamento em R$24 bilhões, as contas do governo nem de longe apresentam expectativas de recuperação.
A títulos comparativos, uma empresa que passa por essa situação econômica já seria orientada a buscar a recuperação judicial, ou, para aqueles menos otimistas, seria indicada a autofalência.
Diante deste cenário sombrio que assombra a nação, percebe-se que a má administração reinou por aqui nos últimos anos, sendo difícil assistir à 7a economia do mundo, líder mundial do agronegócio, da exportação de minérios, um dos maiores na indústria aérea e automotiva, debruçar-se como um touro ferido aos pés das demais economias emergentes.