ARTICULISTAS

Brilho na simplicidade

Iná e Ani
Publicado em 22/12/2022 às 19:07Atualizado em 26/12/2022 às 22:57
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Não me considero saudosista. Vivo o presente com os prazeres que a vida me oferece e com esperança de, no futuro, estar sempre antenada e ativa para entender as mudanças do mundo contemporâneo!

A chegada do Natal, o início de uma Nova Era, nos transcende para uma realidade paralela! É delicioso sair das coisas necessárias e dar um mergulho em momentos do passado de afeto que nos chegam não melancólicos, mas harmoniosos e de positividade!

Mulheres boas que marcaram nosso inconsciente com coisas simples, abraços, acolhimento! Aprendemos, ao longo da vida, que é raro encontrar essas pérolas, mas ainda é possível conviver com pessoas assim, que nos valorizam, têm um olhar especial por nós e estão prontas a nos escutar! Muitas delas realizam seus afazeres sem se preocuparem com brilhantismo!

Simplesmente fazem o dia acontecer!

No final de ano, as memórias afetivas são afloradas …

Era como missão, às 15 horas, pela calçada da rua Major Eustáquio, seguirmos numa marcha sincronizada até o casarão belíssimo dos Schmidt, depois pegarmos um atalho que descia até o final da rua para chegarmos ao “santuário” da vovó Lilica e vovô Nicanor! A porta se abria e, ao transpor o umbral, o acolhimento era de puro amor! Antes de nos sentarmos, íamos até ao quintal onde estava vovô Nicanor mexendo nas flores e no muro das paredes que pareciam não ter fim – latinhas abertas pregadas no muro com flores de toda espécie e coloridas! Nos sonhos dos 10 anos era a entrada do céu! Na sala, vovó, cabelos cor de neve, em coque preso no pente. Ao nos ver, soltava-os e nos deixava fazer trancinhas, cachos. Uma brincadeira de horas, conversando e rindo, até que, com calma, nos servia café com bolo de cenoura com cobertura de chocolate ou de coco, todos com sabor de infância!

Certa vez, no trajeto de sempre para a casa dos avós, bateu uma chuva muito forte e, tentando nos proteger dos pingos que engrossavam, sem saber o que fazer, ouvimos uma voz no portão do outro lado da rua! Entrem! Entrem aqui! Deparamos com uma senhora vestida com elegância, mas extremamente simples, olhos brilhantes infinitamente azuis! Providenciou toalhas, pois nossos cabelos estavam molhados. Em seguida, serviu-nos um café quente acompanhado com biscoitos branquinhos que desmanchavam na boca. Ao nos despedirmos, sentimo-nos tão bem acolhidas que nunca mais nos esquecemos do acontecido! Essa linda mulher de olhos azuis era a querida tia Elim! Por coincidência, no futuro, a irmã de minha bondosa sogra, Gilka Bittencourt.

Já adultas, íamos à casa de Dona Zilda Arantes, sogra da Ani. Na simplicidade, o acolhimento com amor, o bolo com café. Sempre nos mostrava seu quintal e suas criações! Ouvia-nos com um sorriso e olhar dos bons!

Exemplos de mulheres com atitudes nobres perante a vida, cumprindo seus deveres, aceitando o dia a dia acontecer!

Mamãe, à tarde, quando cantava ao som do seu violão, sua voz maviosa entrava em nossos ouvidos, invadia a casa, penetrava em cada órgão do corpo físico e atingia a alma, o coração. Sabíamos que era um aviso! Acalmar os impulsos, aquietar a mente!

Essas mulheres que foram marcantes em nossa infância com seu brilho eterno representam as várias outras que encontramos pela vida e que fazem a diferença! Guerreiras de postura simples e voz serena, sempre serão admiráveis e inspiradoras!

Mulheres atemporais!

Dois beijos...

Iná e Ani

gemeasanina@hotmail.com 

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