Dialogando com minha mulher, historiadora e professora do curso de Direito na Uniube, cheguei à conclusão do quanto é difícil exercer a cidadania neste país.Veja bem: para o assalariado, que vive apenas do salário mínimo, não tem outra fonte de renda, é difícil sustentar uma família, por menor que ela seja. Gente, a nota de cem reais está valendo bem menos! E, se por acaso o sujeito perde o emprego, vem a exclusão social por completo. O cidadão passa a ter menos valor do que a vida já tem, com tantos crimes e a violência gratuita, que nos impõem o medo no dia a dia. Bem, voltando à minha mulher, mostrei-lhe um poema meu e que ela acabou por incluí-lo em sua aula sobre cidadania. “João, sempre sincero; julgavam-no um homem sério. Amigo solidário, amigo de quem quiser. Julgavam-no solitário, apesar de ter mulher. Que sempre trabalhou duro, não devia nada a ninguém. Um dia perdera o trem e não quiseram saber de desculpas, acharam tudo invenção. Puseram-no no olho da rua, sem um tostão. Hoje João é malandro, hoje João é ladrão. Não tem mais amigos, não tem mais mulher. Hoje ele vive se quiser, pois ninguém vai se importar”.
Enquanto isso, ninguém reclama de nada, principalmente em defesa de seus direitos. Mas, quando digo reclamar, digo juridicamente, sem revolta ou bagunça.
(*) Jornalista