Aluno do curso de eletricista residencial do projeto federal Usina do Trabalho, que preferiu não se identificar, entrou em contato com a redação do Jornal da Manhã
Aluno do curso de eletricista residencial do projeto federal Usina do Trabalho, que preferiu não se identificar, entrou em contato com a redação do Jornal da Manhã para reclamar sobre os materiais e programação didática oferecidos nas aulas.
“A verdade é que as apostilas estão defasadas, com conteúdo antigo e não dá pra aprender nada”, conta. Segundo ele, a maioria dos 25 alunos que frequentam as aulas está interessada apenas na bolsa de R$ 200, oferecida pelo curso. “Estou lá todos os dias e vejo o que acontece: ninguém presta atenção na aula e eu acho que o curso não vai formar ninguém que possa trabalhar lá fora, no mercado. O curso acaba em dezembro e, por exemplo, até agora não tivemos aula prática”, garante. “Falaram pra gente que as aulas práticas seriam realizadas em uma creche e a gente ia mexer nas instalações, mas nada disso acontece”, reclama.
Carlos Nogueira, diretor regional da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social (Sedese), intermediadora do curso em Uberaba, afirmou que toda a programação didática e material do curso é de responsabilidade da empresa Aprecia, de Belo Horizonte, vencedora do processo licitatório para execução das atividades. Segundo ele, a empresa é que gerencia a distribuição de recursos, incluído o valor pago para a compra de vale-transporte. “Nós cedemos o espaço e oferecemos lanche para os alunos. O que posso garantir é que as apostilas estão disponíveis desde o primeiro dia de aula e que o dinheiro da bolsa e dos vale-transportes está sendo distribuído em dia, para todos”, garante.
Em relação às aulas práticas, Carlos Nogueira confirmou que o curso seria ministrado em creche municipal da cidade, mas teve que ser transferido para as próprias instalações da Sedese. “Nós temos uma destinação de verba específica para essas aulas e esse dinheiro não nos permitia mexer na parte elétrica de todo o prédio. Como nenhuma das creches se comprometeu a arcar com o resto do dinheiro para terminar a obra completa, optamos por fazer aqui mesmo”, explica Nogueira.
O coordenador responsável pelo projeto na empresa Aprecia foi procurado pelo celular, mas não foi localizado pela reportagem. Segundo Nogueira, a expectativa é a de que ele visite Uberaba ainda hoje.