Aumento da oferta e menor pressão sazonal ajudaram a reduzir as cotações no atacado
O preço do ovo de granja branco extra perdeu força ao longo de 2026 em Uberaba. Depois de fechar o primeiro trimestre na faixa de R$ 6,80 a R$ 7,20 por dúzia, o produto encerrou o segundo trimestre entre R$ 6,20 e R$ 6,80 e chegou ao fim do terceiro trimestre com cotação de R$ 6. A referência registrada na CeasaMinas-Uberaba em 14 de setembro foi de R$ 180 a caixa com 30 dúzias. A trajetória mostra uma forte valorização no início do ano, seguida por acomodação dos preços nos meses seguintes.
No primeiro trimestre, o mercado foi influenciado principalmente pelo aumento da demanda no período que antecede e acompanha a Quaresma. O movimento de alta ocorreu depois de um início de ano ainda marcado por preços baixos e margens apertadas para os produtores, cenário que vinha sendo observado desde o fim de 2025.
A partir do segundo trimestre, o comportamento se inverteu. Com o aumento da oferta e a redução da pressão sazonal da demanda, os preços começaram a recuar. Em Uberaba, a cotação passou a trabalhar em um intervalo inferior ao registrado no primeiro trimestre e chegou ao fim de junho na faixa de R$ 6,20 a R$ 6,80 por dúzia.
O terceiro trimestre trouxe uma acomodação ainda maior. Em agosto, a referência do ovo de granja branco e vermelho na unidade de Uberaba estava em torno de R$ 6 por dúzia. Em 14 de setembro, a caixa de 30 dúzias do branco extra estava cotada em R$ 180, mantendo a equivalência de R$ 6 por dúzia. No caso do vermelho extra, a cotação era de R$ 210 a caixa, ou R$ 7 por dúzia. O ovo caipira era negociado a R$ 15 a dúzia.
A variação dos preços, porém, não pode ser analisada apenas pelo lado da oferta e da procura. Para o produtor, um dos principais fatores é o custo da alimentação das aves. Segundo a Embrapa, a alimentação representa, em geral, entre 60% e 70% do custo de produção dos ovos. Milho e farelo de soja estão entre os principais componentes da ração e, por isso, alterações nos preços desses produtos interferem diretamente na atividade.
Isso significa que a queda ou a estabilidade da cotação do ovo no atacado não representa necessariamente uma melhora na margem das granjas. Se o preço recebido pelo produtor permanece estável enquanto os custos de produção aumentam, a pressão sobre a rentabilidade da atividade aumenta. O comportamento do mercado de grãos, portanto, também ajuda a explicar o preço final do ovo.
Outro componente que passou a ganhar importância no segundo semestre é o mercado externo. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que as exportações brasileiras de ovos cresceram 9,1% em agosto, na comparação com agosto de 2025, alcançando 2,322 mil toneladas. No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, os embarques ainda registravam queda de 38,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mesmo com a cotação sendo definida pelo comportamento do mercado em Uberaba, fatores externos também podem chegar à cadeia local. Oscilações do dólar, do petróleo e dos preços internacionais de milho e soja, além das tensões geopolíticas que afetam fretes e logística, podem elevar os custos das granjas da região e pressionar a formação do preço do ovo comercializado na CeasaMinas-Uberaba. O impacto, porém, depende também da oferta e da demanda locais.