O interesse de procurar a família biológica surgiu com mais força quando Fernando decidiu se casar. Há cerca de nove anos, Eliana procurou o delegado da Polícia Civil Heli Andrade
Fernando do Carmo nasceu em 15 de junho de 1979 no Hospital de Clínicas da UFTM. A mãe, Eliza de Souza Bertolino, veio de Patos de Minas para dar à luz. Um dia procurou a vizinha de onde estava hospedada e pediu que cuidasse do menino para que ela fosse ao médico, mas nunca mais voltou para buscá-lo. Cerca de 34 anos depois, uma investigação da Polícia Civil encontrou a família de Fernando nas cidades de Patos de Minas e Monte Carmelo e devolveu as origens ao gerente de vendas. O encontro aconteceu ontem, em Uberaba, regado de emoção.
De acordo com Eliana D’Arc Martins, sua tia, Hilda Maria Martins, foi quem acolheu o bebê quando Eliza precisou ir ao médico. Após tentar encontrar Eliza por alguns meses e não conseguir notícias, ela decidiu cuidar da criança e a registrou junto com o companheiro Vitor do Carmo. Cerca de sete anos depois, Hilda adoeceu e entregou o menino aos cuidados de Eliana, que já era madrinha de batismo de Fernando.
O interesse de procurar a família biológica surgiu com mais força quando Fernando decidiu se casar. Há cerca de nove anos, Eliana procurou o delegado da Polícia Civil Heli Andrade, quando ainda estava lotado em Uberaba, e pediu que ele os ajudasse. Na época, ficou combinado que a família repassaria qualquer informação sobre a mãe biológica de Fernando, mas o tempo passou e Andrade foi transferido para Araxá. Somente há 20 dias, durante um reencontro casual, a história novamente veio à tona e Eliana conseguiu passar o nome completo de Eliza e a cidade.
Heli Andrade iniciou a investigação por Patos de Minas. Depois de várias ligações, o delegado conseguiu encontrar uma das irmãs biológicas de Fernando, que, após conhecer a história, repassou as informações ao irmão, que se interessou em vir a Uberaba. “Tudo isso demonstra que a Polícia Civil, em alguns momentos, serve para outras coisas além de só enfrentar problemas, como entrar no seio familiar para trazer felicidade”, ressalta.
Na manhã do encontro, vieram de Monte Carmelo a tia, Maria Eunice de Deus, e seu marido, Manoel Donizete de Deus, e de Patos de Minas veio o irmão, João Batista Bertolino, deixando na cidade do Alto Paranaíba mais três irmãs de Fernando. Muito emocionado, Fernando considera o encontro com o irmão e a tia como a descoberta de ruas raízes. “É saber que tem mais alguém no mundo que tem o mesmo sangue. Não posso reclamar de nada, fui muito bem acolhido. Não posso dizer que não tive família, porque eu tive e tenho, mas eu sempre quis saber da família biológica. Até agora eu sempre disse que parente de sangue eu só tinha a minha filha, a partir de hoje eu sei que tenho mais gente. Se depender de mim, quero ir até lá, conhecer o restante da família e saber mais da história dela”, conta.
Para João Batista, o encontro representa ganhar o irmão que ele sempre quis ter, já que a vida toda foi criado entre mulheres, a mãe e as três irmãs. “No início, eu nem acreditei, pensava que fosse um filho do meu falecido pai que vinha muito sozinho a Uberaba, mas agora eu entendo o sonho de minha mãe pelo nome de Antônio Marcos”, conta. Ele se refere ao nome gravado no único documento que liga Fernando a Eliza, falecida há cinco anos: um registro do nascimento dele Hospital de Clínicas, onde aparece o nome de Antônio Marcos Bertolino.