Faixas e cartazes criticam secretário Luiz Cláudio Gomes; categoria aponta desmonte da estrutura fiscal e risco para arrecadação do Estado
Os auditores fiscais de Minas Gerais ampliaram as manifestações contra a atual gestão da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG), e os reflexos chegaram a Uberaba. Na manhã desta sexta-feira (28), o Jornal da Manhã recebeu imagens de cartazes afixados no prédio da Administração Fazendária (AF), denunciando o que a categoria classifica como “descaso institucional, perda de estrutura e falta de diálogo” com o secretário Luiz Cláudio Fernandes Lourenço Gomes. As manifestações fazem parte de uma mobilização estadual que, segundo a categoria, ocorre há mais de um ano e meio, mas que ganharam mais visibilidade na tarde de quarta-feira (26), em todo o estado.
Em Uberaba, os cartazes cobram liderança, apontam “falta de comando” na Secretaria e responsabilizam o gestor pelo agravamento da crise. No fim da manhã, foram substituídos por faixas com os mesmos dizeres, para ampliar a visibilidade do protesto.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, um auditor fiscal de Uberaba e representante regional do sindicato afirma que a SEF vive um processo de “desmonte”, em pleno contexto de implementação da Reforma Tributária, a partir de 2026. Segundo ele, enquanto outros estados reforçam quadros e modernizam suas Fazendas, Minas perde mão de obra qualificada, o que pode comprometer arrecadação e repasses.
“Há um ano e meio tentamos ser ouvidos. Não há reunião, não há encaminhamento das pautas, não há interlocução. Isso afeta toda a sociedade, porque arrecadação, combate à sonegação e fiscalização são pilares do funcionamento do Estado”, relata.
Evasão de auditores: mais de 100 deixaram o cargo em dois anos
De acordo com a categoria, Minas Gerais não consegue reter os novos servidores. Após o concurso público de 2023, que nomeou 431 auditores, mais de 100 já deixaram o cargo, migrando para fiscos de outros estados ou até para funções municipais, com remuneração superior e melhor plano de carreira. A evasão foi confirmada por estudos do Observatório da SEF/MG, que apontam saída crescente de servidores experientes e recém-nomeados.

(Tabela/Observatório)
Os dados de remuneração líquida dos fiscos estaduais, referentes a agosto de 2025, indicam que Minas Gerais ocupa a 26ª colocação nacional, atrás de estados com arrecadação significativamente menor.

O auditor ouvido pelo JM relatou que Minas está ficando para trás em operações estratégicas de combate à sonegação e ao crime organizado. Ele citou, como exemplo, uma grande operação nacional no setor de combustíveis — que apurou R$ 26 bilhões em sonegação — da qual o estado não participou.
Ele também apontou dificuldades internas para ocupar áreas-chave da Secretaria, como o Tesouro Estadual, que hoje não possui nenhum auditor fiscal lotado. Segundo ele, a situação atinge não apenas o Estado, mas também os municípios mineiros, que dependem do repasse de ICMS. “Se Minas arrecadar menos agora, os municípios também receberão menos. Essa é uma preocupação real para todas as cidades, inclusive Uberaba”, afirmou.
O movimento deve se intensificar nas próximas semanas. Novas faixas serão afixadas a partir de segunda-feira (1º), e um seminário estadual dos auditores está previsto para 3 de dezembro, com presença esperada do vice-governador. A categoria também prepara o envio de documentos oficiais ao Governo de Minas.
O Jornal da Manhã solicitou posicionamento da SEF-MG e do secretário Luiz Cláudio Fernandes Lourenço Gomes, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestações.