Óleo de cozinha, fraldas, preservativos e até fios de cabelo estão entre os materiais descartados indevidamente; Codau retira cerca de 234 toneladas de resíduos por mês das estações de tratamento
Do óleo jogado na pia aos fios de cabelo que descem pelo ralo do banheiro, hábitos aparentemente inofensivos ajudam a explicar parte dos problemas enfrentados pela rede de esgoto de Uberaba. Somente entre janeiro e agosto deste ano, a Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau) executou 2.857 serviços de desobstrução de ramais e redes coletoras na cidade. O volume se aproxima dos 3.999 atendimentos realizados durante todo o ano de 2025 e chama atenção para um problema que começa, muitas vezes, dentro das próprias residências.
Os números representam uma média de aproximadamente 357 intervenções por mês em 2026, contra 333 no ano passado. A Codau ressalta, entretanto, que o levantamento não se restringe aos entupimentos provocados pelo descarte de lixo. Também estão incluídas ocorrências de transbordamento relacionadas ao acúmulo de água da chuva, especialmente em imóveis com ligações irregulares à rede de esgoto.
Entre os materiais descartados indevidamente que mais provocam obstruções, a autarquia identifica óleo de cozinha, absorventes, fraldas, preservativos, fios de cabelo e até tampas de garrafas PET. Embora tenham características diferentes, esses resíduos apresentam um problema em comum: não deveriam chegar à tubulação destinada ao transporte do esgoto.
O óleo de cozinha, por exemplo, pode aderir às paredes dos encanamentos e favorecer o acúmulo de outros materiais, reduzindo gradativamente o espaço para a passagem dos efluentes. Já fios de cabelo podem formar emaranhados que retêm resíduos, enquanto fraldas, absorventes e preservativos não se desintegram como o papel higiênico e podem provocar bloqueios na tubulação.
O problema não termina nos entupimentos. Segundo a Codau, aproximadamente 234 toneladas de resíduos são retiradas mensalmente das três principais Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) de Uberaba. O volume corresponde ao material separado durante o processo de tratamento e não deve ser confundido com os resíduos recolhidos diretamente nos serviços de desobstrução das redes.
Parte da demanda também está relacionada ao uso inadequado do sistema de drenagem. Em março deste ano, após um temporal que provocou alagamentos em diferentes pontos de Uberaba, o JM mostrou que ligações irregulares de água da chuva à rede de esgoto contribuem para a sobrecarga das tubulações (https://jmonline.com.br/cidade/chuva-exp-e-falhas-na-drenagem-e-reacende-cobranca-sobre-bueiros-em-uberaba-1.607259).
Na ocasião, a Codau explicou que as redes têm funções diferentes. Enquanto as galerias pluviais são dimensionadas para receber grandes volumes de água da chuva, a tubulação de esgoto possui menor diâmetro. Quando a água recolhida por calhas e ralos de áreas externas é direcionada indevidamente para o sistema de esgotamento sanitário, o aumento do fluxo pode provocar extravasamentos, principalmente durante chuvas intensas.
Para reduzir o descarte irregular, a Codau mantém o programa “Óleo com Bons Olhos”, que recebe óleo de cozinha usado e oferece um detergente em troca de cada litro entregue. A iniciativa foi lançada em 2021 e integra as ações de educação ambiental desenvolvidas pela companhia.
A orientação é que o óleo seja armazenado em uma garrafa PET fechada e levado a um dos pontos de coleta. O produto não deve ser despejado na pia da cozinha, no vaso sanitário ou nos ralos. Os demais resíduos, como absorventes, fraldas, preservativos e fios de cabelo, devem ser destinados à lixeira.
Atualmente, o programa conta com nove pontos de recebimento em Uberaba, distribuídos entre unidades da Codau e escolas municipais. São eles:
A iniciativa também busca conscientizar crianças e famílias sobre o destino correto dos resíduos. Conforme levantamento divulgado pela Codau, o programa havia recolhido 4.200 litros de óleo de cozinha usado entre 2021 e 2024, evitando que esse material fosse descartado na rede de esgoto.
A autarquia reforça que a colaboração da população é fundamental para reduzir as obstruções e preservar o funcionamento do sistema de esgotamento sanitário. A orientação é simples: a rede de esgoto não deve ser utilizada como destino para o lixo doméstico, e a água da chuva precisa ter encaminhamento separado.