Cadeirante reclama do descaso das companhias de transporte coletivo, que não tratam deficientes físicos da maneira correta
Cadeirante reclama ao Jornal da Manhã do descaso sofrido em relação às companhias de transporte coletivo da cidade, que não tratam o usuário portador de necessidades especiais da maneira correta.
Esta semana, o cadeirante Ivan José da Silva estava no ponto de ônibus aguardando o transporte coletivo que o levaria a um compromisso pessoal. “Quando o ônibus chegou à rampa, não funcionou, e eu tive que esperar o próximo. Essa situação é recorrente. As empresas não fazem a manutenção das rampas, por isso sempre enfrento esse problema”, conta.
Ivan relata ainda que por diversas vezes foi maltratado por funcionários da empresa, que inclusive alegaram não poder levá-lo porque o veículo estava lotado. “Eu, como cadeirante, sofro isso sempre. Tem dia que passam dois a três carros e eu não posso embarcar”, lamenta. Segundo ele, alguns motoristas não são treinados para utilizar o maquinário, utilizam de força e até chutam, o que contribui para que a rampa estrague.
De acordo com o superintendente de Transportes da Secretaria de Planejamento (Seplan), Claudinei Nunes, nenhum funcionário das empresas pode alegar que o ônibus está cheio, porque o espaço do cadeirante é reservado, muito menos destratar passageiro e demonstrar que não sabe utilizar o equipamento, pois todos eles são instruídos para isso. “Precisamos que a população denuncie essas situações para que possamos autuar a empresa. Ações como essa são passíveis de demissão”, informa Claudinei.
O superintendente relata que todos os ônibus são vistoriados e que não saem à rua com problemas, o que pode acontecer é a quebra durante o caminho. Ele informa ainda que para a população denunciar deve entrar em contato com o Departamento, informando o horário da ocorrência e o nome da linha. As reclamações podem ser feitas pelo telefone 3318-0408, de segunda a sexta, das 5h30 até as 23h30; no sábado, das 7h às 22h, e no domingo, das 7h às 19h.
Peso é ponto de divergência entre usuários e prestadores do serviço. De acordo com Claudinei Nunes, as rampas não suportam um peso superior a 250 quilos e Ivan passaria por esse problema por ter cadeira elétrica. Ele informa ainda que em casos como esse, a Seplan não possui nenhuma solução a oferecer ao usuário. Segundo consta, uma cadeira de rodas elétrica não passa de 70 quilos. Outro cadeirante, que prefere não se identificar e que utiliza um tipo de cadeira parecida, diz que se o problema for o peso, as rampas estão inadequadas. “O fato é a ausência de manutenção. Os próprios motoristas reclamam dessa falta de cuidado da empresa com os ônibus. Eles listam os defeitos e mesmo assim são obrigados a sair no dia seguinte sem que estes tenham sido solucionados.”