Histórico familiar é um dos fatores que podem antecipar o início da avaliação médica entre os homens
Ocorrência de câncer de próstata entre parentes próximos, como pai e avô, aumenta as chances de o homem desenvolver a doença (Foto/Divulgação)
Casos de câncer de mama entre mulheres da família também podem representar um sinal de atenção para os homens em relação ao câncer de próstata. O alerta é do urologista Gilson José, que, em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, destacou a influência do histórico familiar na predisposição à doença e a importância de iniciar a avaliação médica mais cedo em situações de risco.
Segundo o especialista, a ocorrência de câncer de próstata entre parentes próximos, como pai e avô, aumenta as chances de o homem desenvolver a doença. "Se algum parente de próstata, pai, avô, teve, a chance de o filho ter é maior. Não quer dizer, necessariamente, que ele vá ter, mas ele tem uma chance maior de desenvolver o câncer do que uma pessoa que os parentes não tiveram", explica.
O médico também chamou atenção para casos de câncer de mama entre mulheres da família como um fator que merece atenção na avaliação masculina. "Então, se a mãe teve, a avó teve, também tem que ficar mais atento, porque aumenta também a chance do câncer de próstata", afirma.
Além da hereditariedade, Gilson José destacou a maior incidência de câncer de próstata entre homens negros. De acordo com o urologista, esse grupo também pode apresentar diagnósticos em idades mais jovens e tumores mais agressivos. "Você vê pacientes mais jovens negros tendo câncer de próstata e, muitas das vezes, um câncer mais agressivo, que precisa ser tratado mais rápido", afirma.
O especialista ressaltou que os mecanismos genéticos relacionados a essa diferença ainda não estão completamente esclarecidos. "É questão genética mesmo. Ainda não se definiu se tem um gene, o que é que causa isso", acrescenta.
A influência dos fatores hereditários também aparece nos diagnósticos em homens mais jovens. Gilson José relatou que já identificou a doença em pacientes de 40 e 43 anos, especialmente entre aqueles com histórico familiar importante. "Nós já vimos pacientes com 40 anos de idade, 43, com a história familiar positiva muito importante, que foram diagnosticados e tratados. Então, o homem tem que ficar muito atento principalmente a isso", alerta.
Na orientação apresentada pelo urologista, homens com fatores de risco, como histórico familiar de câncer de próstata e homens negros, devem iniciar a avaliação prostática aos 45 anos. Para aqueles sem esses fatores, a indicação é começar aos 50 anos, com acompanhamento anual.
A campanha Novembro Azul busca ampliar a conscientização sobre a saúde masculina e incentivar a procura por atendimento médico, especialmente entre homens que apresentam fatores de risco para o desenvolvimento da doença.