Dois casos de hantavirose foram confirmados em Uberaba pela Secretaria Municipal de Saúde e outro ainda está em análise. As mortes ocorreram nos meses de março e abril
Dois casos de hantavirose foram confirmados em Uberaba pela Secretaria Municipal de Saúde e outro ainda está em análise. As mortes ocorreram nos meses de março e abril. Apesar de o departamento de Controle de Zoonoses ter sido comunicado e imediatamente iniciado as ações de controle nos locais onde há suspeita de contaminação, todos devem tomar os devidos cuidados para não se verem atingidos pela doença.
De acordo com a Referência no Controle de Roedores e Hantavirose de Uberaba, Márcia Maria de Souza, a hantavirose é provocada pelo hantavírus, encontrado normalmente em ratos silvestres que vivem em áreas rurais. “É uma doença de transmissão na zona rural”, explica, lembrando que não é possível se contaminar morando na zona central da cidade. “Se eu vou para um rancho na periferia da cidade ou quando moro na periferia e minha casa é ligada diretamente a uma fazenda, sem muro, sem nada, no meio da vegetação natural, preciso ter uma atitude de respeito ao bicho que está lá, na casa dele”, exemplifica.
Tais atitudes, segundo Márcia, podem garantir que a pessoa não seja contaminada pelo hantavírus. “Se eu fico deitado no chão, deixo comida disponível, o rato vai se aproximar e certamente deixará seu vírus. Assim, quando alguém chega e inala esse vírus, acaba se contaminando. Por isso, é importante evitar dormir na grama, debaixo de árvores com muito mato em seu entorno. O ideal é escolher um lugar arejado, mais limpo, tranquilo em relação à presença do rato. Estando dentro de casa, é preciso tomar cuidado com a forma de acondicionar os alimentos, deixando-os em lugares que não sejam acessíveis aos ratos”, lembra.
Água sanitária, segundo Márcia, deve ser item certo na “tralha” de viagem daqueles que gostam de aproveitar a zona rural. “Caso a pessoa chegue a um local fechado, o ideal é abrir, deixar ventilar por pelo menos trinta minutos e só depois entrar. Caso note a presença de fezes ou urina de roedores é importante lavar tudo com água sanitária”, explica, salientando que o produto pode ser diluído em água e que colchões podem ser colocados ao sol, o que elimina a presença do vírus.
Sintomas. No entanto, caso a pessoa cometa um deslize e deixe de tomar esses cuidados, o mais correto a ser feito é procurar um médico imediatamente, tão logo os sintomas apareçam, o que pode levar até 20 dias. “As pessoas têm chegado muito tarde aos médicos, os quais estão atentos, pois a SMS fez um trabalho muito forte de divulgação. Quanto mais cedo o paciente procurar o médico, melhor. Além disso, é importante relatar ao médico o possível contato com locais contaminados, pois o atendimento se dará de acordo com os sintomas e as ações do paciente”, revela.
Márcia, porém, alerta para o fato de que, apesar de serem parecidos, os sintomas de gripe e hantavirose são diferentes. “Gripe não é hantavirose. Na gripe, há secreção, nariz escorrendo e aquela tosse produtiva. Já no caso da contaminação por hantavírus, apresenta-se uma tosse seca, mal-estar, febre e intensa falta de ar. Percebendo isso, não se deve ficar em casa tomando chá e sim procurar o atendimento médico”, alerta.
Números. Em 2011, os agentes de zoonoses visitaram 37 localidades rurais ou em região limítrofe da zona rural, com 1.355 imóveis visitados.
Em 2012, o trabalho já foi intensificado. De janeiro a abril, 45 localidades foram visitadas, com 1.000 imóveis vistoriados.
O serviço consiste na vistoria da propriedade para verificar vestígios de roedores. Caso identificada a presença do rato silvestre, é feita colocação de raticida. Além disso, os agentes orientam sobre medidas preventivas para controle de roedores.