Em Uberaba, segundo o levantamento feito por agentes do Departamento de Endemias e Zoonoses, existe uma média variável de cerca dois mil imóveis em situação de abandono
Em Bauru, interior de São Paulo, há um projeto de lei em tramitação na Câmara de Vereadores que prevê a incorporação de mais de 1.500 imóveis e terrenos abandonados ao patrimônio da cidade. Em Uberaba, segundo o levantamento feito por agentes do Departamento de Endemias e Zoonoses, existe uma média variável de cerca dois mil imóveis na mesma situação. Por isso, são constantes as reclamações sobre os riscos à saúde pública decorrentes do abandono de imóveis.
Ainda conforme o departamento, no cadastro imobiliário do município existem 128 mil imóveis prediais e 17 mil terrenos, lembrando que este último número pode não ser real, pois proprietários podem já ter construído, mas não regularizado na Prefeitura. Além disso, ainda segundo o departamento, nem sempre o imóvel vago significa estar abandonado.
É o caso de um imóvel situado no número 426 da avenida Almirante Barroso, no bairro Fabrício. De acordo com uma moradora do local, A.S.F., o que os vizinhos sabem é que um casal idoso morava na casa, mas que, após a morte, nenhum dos filhos, que provavelmente moram em outra cidade, se interessou em dar uma destinação ao imóvel. “A casa causa incômodo, porque aqui já apareceu escorpião, hoje mesmo vi gente pulando o portão e sei que, por ser abandonado, as pessoas pulam para usar droga ou para fazer de banheiro. Já vi andarilho levar papelão para dormir lá dentro. O pessoal joga lixo e entulho no terreno, há dias em que o mato está muito alto. Tem um senhor morador da rua que pula o portão e ele mesmo capina e cata o lixo para diminuir o incômodo por conta própria, porque ninguém faz nada. Há dois anos que nunca vejo ninguém vir aqui falar que é dono”, conta.
A reportagem procurou a Prefeitura para saber que medidas podem ser adotadas para evitar que o imóvel abandonado continue sendo foco de animais peçonhentos, mato alto, lixo, dengue e servindo de ponto para uso de drogas. Segundo a assessoria, a demanda foi repassada ao diretor do Departamento de Endemias e Zoonoses do município, Antônio Carlos, que enviará uma equipe ao local na manhã desta sexta-feira (10) para averiguações. “Caso seja possível entrar e proceder à limpeza e averiguação de focos da dengue, ele fará. Se não for possível, a equipe acionará a Vigilância Sanitária e a equipe de Posturas para encontrar e notificar o proprietário do imóvel”, afirma.