Dia da Libertação dos Impostos chama atenção para tributos escondidos no consumo diário
No Brasil, são cinco meses do ano só para pagar impostos e sete meses do ano para viver do suor do seu trabalho (Foto/Divulgação)
O chamado Dia da Libertação dos Impostos, lembrado em junho, marca simbolicamente o momento em que os brasileiros deixam de trabalhar apenas para pagar tributos e passam a destinar sua renda para despesas próprias. No Brasil, são cinco meses do ano só para pagar impostos e sete meses do ano para viver do suor do seu trabalho. A data chama atenção para o peso da carga tributária no orçamento das famílias e para o impacto dos impostos sobre o consumo no dia a dia.
Segundo o advogado tributarista Vinícius Venâncio, a data deve ser vista mais como um alerta do que como uma comemoração. Para ele, apesar do simbolismo, os impostos continuam presentes em praticamente todas as atividades econômicas após junho.
“O contribuinte não se liberta dos impostos em junho. Ele apenas chega ao ponto do ano em que, estatisticamente, já teria produzido renda suficiente para bancar a carga tributária média”, explica.
Embora muitos trabalhadores identifiquem descontos como Imposto de Renda e contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nos contracheques, a maior parte da carga tributária está embutida nos preços dos produtos e serviços consumidos diariamente.
Alimentos, combustíveis, energia elétrica, medicamentos, roupas, internet e materiais escolares são alguns dos itens que carregam tributos incorporados ao valor final pago pelo consumidor.
Na avaliação do especialista, esse modelo faz com que muitos brasileiros paguem impostos sem perceber exatamente quanto desembolsam. “O consumidor não recebe uma cobrança com o nome imposto, mas paga mesmo assim. Só que paga de forma diluída, silenciosa e permanente”, afirma.
O reflexo aparece diretamente no poder de compra. De acordo com Venâncio, além da inflação, a estrutura tributária influencia o aumento dos custos de produção, transporte, energia e operação das empresas, fatores que acabam sendo repassados ao consumidor.
“O imposto entra na cadeia produtiva e chega ao preço final. Isso reduz a capacidade de consumo das famílias e afeta toda a economia. Imposto mal desenhado não pesa apenas no CNPJ. Ele termina no CPF”, observa.
Outro fator que contribui para a percepção negativa da população é a comparação entre o volume de tributos pagos e os serviços públicos recebidos.
“O problema não é só arrecadação. É eficiência, transparência e gestão. O contribuinte sente que paga duas vezes: primeiro ao Estado, por meio dos tributos; depois ao setor privado, para suprir aquilo que o serviço público não entregou com qualidade”, afirma o tributarista.
Para os moradores de Uberaba, a reflexão proposta pelo mês de junho passa também pela conscientização tributária. O especialista defende que compreender a incidência dos impostos ajuda o cidadão a fiscalizar melhor a aplicação dos recursos públicos e a tomar decisões financeiras mais conscientes.
“Imposto está no combustível, no mercado, no imóvel, no serviço e na nota fiscal. O cidadão precisa entender o sistema para cobrar melhor e acompanhar como os recursos arrecadados estão sendo utilizados, planejar melhor e tomar decisões melhores”, conclui.
Os altos impostos pagos reduzem de forma significativa a renda real do trabalhador, e o advogado acende um alerta: “O mês de junho deve servir como um chamado: não basta trabalhar para pagar imposto. É preciso entender o sistema para não ser engolido por ele”, finaliza.