Grupo afirma que resíduos deixados após a feira chegam à rede pluvial e agravam transtornos em dias de chuva; Sagri anuncia reforço na fiscalização
Comerciantes da avenida Prudente de Morais denunciam o acúmulo de lixo deixado após a realização da Feira da Abadia e cobram fiscalização sobre o cumprimento das regras de limpeza e dos horários da feira. Fotos e vídeos encaminhados ao JM mostram resíduos espalhados pela via e acumulados junto às bocas de lobo. Segundo comerciantes, parte desse material acaba na rede pluvial e volta a causar transtornos em períodos de chuva. Além disso, barracas permaneceriam montadas horas depois do encerramento das atividades.
(Foto/Reprodução)
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Os denunciantes não descartam ida ao Ministério Público em busca de soluções. Segundo eles, já houve tentativa junto à Secretaria de Agronegócio, sem que medidas tenham sido efetivamente tomadas. No relato dos comerciantes, o problema é recorrente e já preocupa a comunidade há tempos.
A reclamação sobre a limpeza encontra respaldo nas regras municipais. A legislação que disciplina o manejo de resíduos nas feiras determina que os feirantes mantenham limpa a área ocupada, acondicionem adequadamente o lixo produzido e façam a limpeza ao fim das atividades. Segundo os comerciantes, porém, restos de alimentos, embalagens e outros materiais continuam sendo deixados na avenida e acabam levados para as bocas de lobo, sobretudo quando chove.
Procurada pelo JM, a Codau informou que todos os domingos a avenida Prudente de Morais recebe equipes de varrição após as 13h, ao término da Feira da Abadia. Depois da varrição, um caminhão também realiza a lavagem da via com água não potável.
A Companhia ressaltou, porém, que os próprios feirantes devem colaborar com a limpeza, acondicionando corretamente em sacos o lixo produzido em cada estabelecimento. A Codau ainda alertou que o lançamento indevido de resíduos nas bocas de lobo pode provocar entupimento da rede pluvial e prejudicar o escoamento da água das chuvas.
A autarquia informou que realiza periodicamente trabalhos de manutenção das bocas de lobo em Uberaba. Caso seja identificado algum ponto entupido, a população pode acionar a Companhia pelo Fale 115.
Além do descarte de lixo, os comerciantes reclamam da permanência de barracas na avenida após o horário previsto para a feira. Conforme o grupo, pelo menos uma banca de alimentação permaneceria no local até aproximadamente 15h30, prolongando a ocupação da via e causando impacto no trânsito da região.
Em resposta ao JM, o secretário municipal do Agronegócio, Luís Renato Tiveron, informou que, desde o início deste ano, os feirantes receberam um Manual de Boas Práticas com orientações para o funcionamento das feiras. Entre os pontos abordados pelo documento estão justamente o manejo e o descarte correto de resíduos e a divulgação dos horários das atividades.
Segundo Tiveron, diante das reclamações relatadas, a fiscalização será reforçada. O secretário afirmou que as ações serão intensificadas conforme as orientações que já haviam sido previamente repassadas aos feirantes.
A manifestação da Sagri é relevante porque indica que as regras cobradas pelos comerciantes já haviam sido comunicadas aos trabalhadores antes das denúncias. Vale pontuar que a fiscalização das feiras livres, bem como possíveis autuações, são de competência da própria Sagri.
Presidente da Associação de Feirantes das Feiras Livres de Uberaba, Julimar da Silva de Sousa também informou que a entidade recebeu as reclamações e pretende atuar juntamente com a Secretaria responsável e os agentes de Posturas para intensificar orientação, conscientização e fiscalização.
Segundo Julimar, inicialmente os feirantes serão novamente orientados sobre suas responsabilidades e sobre os pontos que precisam ser corrigidos. Em caso de descumprimento das normas, caberá aos órgãos competentes aplicar as medidas previstas na legislação.
A Associação também afirmou que pretende atuar para garantir o cumprimento dos horários de montagem, funcionamento e desmontagem das barracas, de forma a reduzir os transtornos no entorno.
“Queremos uma feira forte e organizada, mas também queremos respeito a quem possui seu comércio, trabalha e vive no entorno”, finaliza Julimar.