Com fiscalização deficiente, ambulantes estão proliferando no calçadão, comercializando produtos semelhantes aos das lojas
Excesso de ambulantes no calçadão da rua Artur Machado revolta comerciantes. De acordo com os lojistas, que preferiram manter a identidade preservada, não está nada fácil trabalhar com a presença de ambulantes nas portas dos estabelecimentos, pois causam transtornos, inibem a clientela e em alguns casos estão vendendo produtos ilegais, como “DVD pirata”.
Vender produtos pelas ruas da cidade sem um estabelecimento fixo é ilegal. Caso os fiscais do Departamento de Posturas encontrem alguma pessoa comercializando produtos desta forma, toda mercadoria é apreendida. Entretanto, alguns comerciantes cobram a presença mais assídua dos fiscais, principalmente no calçadão.
“A situação realmente está complicada, nos últimos dias parece que aumentou a quantidade de ambulantes, os próprios pedestres acabam tropeçando nestas pessoas, que expõem seus produtos ali mesmo, no chão. Além de inibir a entrada dos meus clientes, para evitar o desconforto de cruzar com um deles, acabam comprando em outro local. E em alguns casos os consumidores deixam de comprar na loja, pois os próprios ambulantes estão vendendo o mesmo produto que vendo de forma muito mais barata”, explica a comerciante, que não quis se identificar.
A comerciante conta que, ao contrário dos ambulantes, paga impostos para manter seu estabelecimento e que é uma atitude desleal venderem produtos desta forma. “Entendo que, assim como eu, também são trabalhadores e precisam ganhar o pão de cada dia, mas devem estar legalizados. Eles sempre culpam a Prefeitura pela situação, mas não querem regularizar a situação”, afirma.
Já com relação à presença dos fiscais de Posturas, a lojista reivindica a presença mais assídua. Segundo ela, os agentes passam pelo calçadão poucas vezes e, quando vão, o número de ambulantes diminui. “Recebi a informação de que alguns fiscais avisam para que eles saiam, evitando a apreensão”, afirma a comerciante.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, Miguel Haroldo Faria, diz que concorda com o posicionamento da comerciante, de que ambulante na frente da loja atrapalha. E afirma que é preciso encontrar um ponto fixo para estes profissionais. “Já repassamos a situação à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, José Renato Gomes, pedindo comprometimento do Código de Posturas em relação à atuação do comerciante. Não somos contra camelôs, mas é preciso que tenham um local específico para vender. O que somos contra são aqueles comerciantes que ficam na frente de lojas e atrapalham a circulação de consumidores nestes locais. Portanto, é preciso fazer um trabalho com estas pessoas, não com o intuito de dificultar as vendas deles, mas para que possam cumprir as exigências da lei municipal”, explica Miguel.