Trabalhar no exterior para conseguir o tão sonhado “pé-de-meia” já foi o sonho de muita gente. Mas hoje a realidade é outra.
Trabalhar no exterior para conseguir o tão sonhado “pé-de-meia” já foi o sonho de muita gente, principalmente os que emigraram para o Japão. Mas hoje a realidade é outra. A empresária uberabense Isabela Santos Yamashita estava lá quando a crise internacional começava a se delinear, gerando o declínio dos postos de trabalho para estrangeiros. Ela e o marido moraram um ano e meio em Ogaki, pequena cidade da Província de Guifu, trabalhando diuturnamente numa indústria de componentes eletrônicos destinados à fabricação de notebooks. O primeiro impacto, segundo Isabela, foi o corte nas horas extras de todos os trabalhadores. Isso ocorreu no primeiro semestre do ano passado. “A produção japonesa é paga por hora. Se você não trabalha muito, fica com o salário deficiente”, afirma. A crise se agravou de tal forma que os administradores ligavam para os empregados pedindo que não fossem à fábrica, pois não havia serviço. No Japão, de acordo com a empresária, existem revistas com anúncios de emprego que permitem ao candidato procurar a agência correta. “Aos poucos essas publicações desapareceram do mercado”, diz. Em junho do ano passado, Isabela Yamashita retornou ao Brasil, devido à aprovação do marido em concurso público. Atualmente gere uma loja de suplementos alimentícios no centro de Uberaba. Mas o pior ocorreu após a saída do casal de Ogaki. A fábrica onde trabalhavam demitiu todos os brasileiros, ficando apenas com poucos japoneses na linha de produção. Muitos colegas, segundo Isabela, não tinham sequer lugar para dormir. Dificuldade A falta de emprego não é o único problema enfrentado pelos dekasseguis, (expressão utilizada para denominar os que deixam a terra natal para trabalhar temporariamente no Japão, independente de terem ascendência oriental). Há brasileiros com dificuldade de retornar por não terem o visto da embaixada americana. Regra imposta a todos os estrangeiros, cujo avião faz escala nos Estados Unidos. Os que não querem permanecer em meio à crise japonesa gastam parte do dinheiro que conseguiram vindo pela Europa. A empresária Isabela Yamashita e o marido vivenciaram esta dificuldade. Voltaram pela África, com passagem bem mais cara e longa viagem. Ficaram 36 horas dentro do avião. Apesar dos problemas, Isabela afirma não ter se arrependido da experiência, em função do aprendizado. Emocionada, ela encerrou a reportagem dizendo que “não existe lugar melhor que o Brasil para morar, ainda que falte dinheiro”.