CIDADE

DEM nega influência em movimento

A ação política que o prefeito Anderson Adauto (PMDB) afirma enxergar no movimento das creches pela suspensão do corte de 10% nos repasses de 2009

Élvia Moraes
Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 14:04
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A ação política que o prefeito Anderson Adauto (PMDB) afirma enxergar no movimento das creches pela suspensão do corte de 10% nos repasses de 2009 foi negada pelo Partido dos Democratas (DEM) e também pela Frente dos Direitos da Criança e do Adolescente do Triângulo Mineiro.

A afirmação foi feita na quinta-feira passada, durante o Encontro de Prefeitos, após a coordenadora da Frente, Mariângela Camargos, ter questionado ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT), sobre o que deve ser cortado em tempos de crise. A resposta do ministro e a exibição da faixa de protesto arrancaram aplausos da plateia, incomodando o prefeito. A influência política é vista por AA através da ligação profissional de Mariângela Camargos com o vice-presidente do DEM em Uberaba, Marco Túlio Paolinelli.

Mariângela Camargos é jornalista e coordenadora social do Instituto Agronelli, mantido pela empresa de propriedade do vice-presidente do DEM. Diversas ações voltadas ao desenvolvimento social da comunidade são geridas pela entidade. Em entrevista ao JM, a jornalista negou a existência de ação política partidária fomentada pelos democratas. Ela afirma ter 25 anos de atuação no segmento da assistência social, conhecendo os direitos e deveres do cidadão. “Preciso me posicionar quando esses direitos estão sendo violados ou ameaçados. Eu e as demais pessoas que integram esse movimento estamos cumprindo o exercício de cidadania”, afirma.

Postura da coordenadora é justificada na constatação de que existem 45% de demanda reprimida no âmbito das creches, ou seja, grande percentual de crianças sem acolhimento. Segundo Mariângela, numa pesquisa recente realizada pelo Estado, Uberaba aparece em segundo lugar em índices de criminalidade infanto-juvenil. “O controle social é feito pela sociedade civil, o que ficou bem caracterizado na fala do ministro Patrus. As creches têm um papel relevante na prevenção do aumento e na redução dessa criminalidade”, conclui.

Sem resposta. Procurado pela reportagem, o vice-presidente do DEM, Marco Túlio Paolinelli, não quis comentar as afirmações do prefeito Anderson Adauto. Em contrapartida, o presidente da sigla, Antônio Alberto Stacciarini, afirmou que o partido não interferiu no movimento das creches por se tratar de uma questão social e não política. Ele disse entender que a atitude do prefeito é uma transferência de culpa.

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