O corpo docente da Escola Estadual Nossa Senhora da Abadia decidiu se mobilizar pacificamente em favor do professor Cristiano Pires
O corpo docente da Escola Estadual Nossa Senhora da Abadia decidiu se mobilizar pacificamente em favor do professor de Sociologia Cristiano Pires da Silva, dispensado sem justificativa do cargo de vice-diretor no último dia 7. Em carta de repúdio, professores questionam o motivo.
“Seria por algum motivo político? Estaria nosso nobre colega pensando diferente da forma que rege o sistema? Pensamos e repensamos acerca deste motivo e, por fim, não chegamos a uma conclusão coerente. Esta carta representa, também, o repúdio a qualquer forma de cerceamento de opinião. Ao nosso modo de ver, a escola, principalmente a escola, é um lugar que tem a obrigação de fazer com que indivíduos que a frequentam sejam também críticos. Prezamos que alunos e colegas de trabalho tenham opinião crítica perante os fatos”, afirma a carta de indignação.
Para os professores, nenhum motivo é capaz de justificar a exoneração, classificada como impessoal, imatura e irracional, e que opiniões contrárias podem ser vistas como construção de elementos favoráveis ao sistema educacional. “As propagandas são sempre belas, mas nossa educação não está tão bem assim. Construir uma educação de qualidade não é fácil, e consideramos que até opiniões contrárias podem ser favoráveis, pois, para chegarmos a um ponto em comum, temos que ouvir a todos. O fato é que muitos simplesmente se calam, mas não estão satisfeitos. Estão descrentes e com receio de não receber seu pagamento por terem participado de uma paralisação. Agora, mais descrentes ainda por ver que o simples direito de se manifestar poderá colocar sua ‘sobrevivência’ em risco”, destaca.
Os professores lembram que Cristiano Pires não ocupava o cargo de vice-diretor por acaso, ele foi eleito pela maioria. “Na Escola Estadual Nossa Senhora da Abadia, prezamos pela democracia. O fato de ter uma opinião contrária não justifica excluir alguém, principalmente quando este alguém contribui, mesmo discordando de certos fatos, para o crescimento de uma instituição. Não somos favoráveis com este tipo de ação. Pelo contrário, pois, assim como nosso colega, estamos profundamente magoados. Mais uma vez, quem perde é o educador."