Na quarta-feira, 30 de abril, será celebrado o centenário de Dorival Caymmi. O cantor e compositor morreu em 16 de agosto de 2008, aos 94 anos. Para homenagear o “Algodão”, como ficou conhecido por conta dos seus cabelos brancos, o Domingo na Concha de hoje homenageia o cantor baiano, nas vozes de Carlos Valeriano Trio e Marcelo Prado, que vão revisitar as canções consagradas de Caymmi. O Domingo na Concha acontece todos os domingos, na Praça Concha Acústica, das 11h às 14 horas.
Caymmi é símbolo máximo da música baiana e brasileira, que transformou ondas, pedras, coqueiros e seus conterrâneos em melodias. Além de estar no primeiro time dos compositores brasileiros de todos os tempos, Caymmi influenciou as gerações posteriores como um dos principais nomes da bossa nova, como o também baiano João Gilberto. Também faz parte das influências do maestro soberano o carioca Tom Jobim.
A importância de Caymmi para a MPB é tamanha que o carioca Chico Buarque reconheceu para o próprio compositor, durante um especial para a televisão, que o cantor baiano era seu “ídolo maior”. Já o cantor Caetano Veloso disse: “escrevi 400 canções e Dorival Caymmi, 70. Mas ele tem 70 canções perfeitas e eu, não”. Um gesto de humildade do tropicalista, também baiano.
As músicas de Caymmi adquiriram um estilo próprio com uma visão de mundo muito peculiar. As agruras não impedem as pessoas de ser felizes, tocar a vida com alegria, vencer as dicotomias e sonhar com um futuro sem injustiças, onde todos possam viver bem.
Sua obra carrega a tinta e as notas de sua herança africana, contando a tragédia de negros e pescadores da Bahia. Caymmi é um dos grandes representantes do nascimento do tema urbano na MPB, ao lado de Noel Rosa, Pixinguinha, entre outros. Tudo isso é o que justifica a homenagem da Fundação Cultural de Uberaba a um dos maiores compositores e cantores brasileiros.