Eletricitários realizam ato de colocação de cruzes na porta da unidade da Cemig para lembrar colegas mortos em acidentes de trabalho. Categoria está em greve desde o início da semana
Eletricitários realizam ato de colocação de cruzes na porta da unidade da de trabalho. A categoria, que está em greve desde o início da semana, apresentou suas reivindicações à Cemig que até o momento não procurou o grupo para negociação. Uma das solicitações é para que a empresa ofereça mais segurança no trabalho, pois, segundo os últimos levantamentos, é registrada uma morte no setor a cada 45 dias, um índice alarmante. A manifestação teve início em frente a sede da Cemig na Univerdecidade e depois se deslocou para o Aeroporto de Uberaba para chamar a atenção do governador Antonio Anastasia e do diretor-presidente da empresa, Djalma Bastos de Morais.
De acordo com o diretor regional do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro-MG), o operador de usina, Gustavo Brito, é preciso informar para sociedade que no setor acontecem acidentes com frequência e vários trabalhadores já morreram, e outras vítimas se machucaram e tiveram algum membro do corpo amputado, além de sofrerem queimaduras. Na última quinta-feira, em Patrocínio, mais um funcionário da Cemig morreu em acidente de trabalho, deixando filhos e esposa. “Esse, infelizmente, é o nosso cotidiano. Estamos em período de campanha salarial, um momento para negociar com a empresa, não só por reajuste salarial, mas também as outras necessidades da categoria. Mas a Cemig está irredutível, não abriu negociações em nenhum quesito da pauta”, afirma Gustavo.
Os trabalhadores estão insatisfeitos com as condições de trabalho oferecidas pela empresa que, ao mesmo tempo, segundo Gustavo, antes mesmo de anunciar o lucro, comunicou o repasse de R$ 4 bilhões para acionistas, enquanto não se investe em segurança no trabalho. Sindicalista lembra que as reivindicações da categoria também atendem as necessidades da comunidade, oferecendo mais segurança para a população, pois uma rede sucateada é um risco, e esta é a realidade de muitas usinas da Cemig. Por isto, a categoria pede a compreensão da população.
A greve que começou na segunda-feira já atingiu 60% dos trabalhadores em todo o Estado. Em Uberaba e região são 80% de funcionários com os braços cruzados esperando a negociação. A categoria pede reajuste salarial de 6% mais a inflação acumulada do ano, que é de 5,45%. Para os trabalhadores terceirizados da companhia o movimento pede mais investimentos em saúde e segurança. Além disso, o sindicato pede o fim das terceirizações, realização de concurso público e ainda quer discutir melhores propostas de Participação nos Lucros e Resultados.