CIDADE

Enem cria oportunidades, mas transfere deficiências de ensino

Mais de sete mil estudantes farão as provas do Enem, em busca de notas para tentar conquistar a tão sonhada vaga na universidade

Thassiana Macedo
Publicado em 26/10/2013 às 14:59Atualizado em 19/12/2022 às 10:29
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Neste sábado e domingo, mais de sete mil estudantes farão as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em busca de notas que os auxiliarão a conquistar a tão sonhada vaga na universidade, seja particular ou pública. Em Uberaba, pela Lei de Cotas, o estudante interessado em entrar em uma das faculdades particulares que aproveitam a média do Enem na classificação ou em concorrer a uma das 662 vagas da UFTM em 2014 deve fazer o Enem. No entanto, depois ele precisará estar preparado para as dificuldades de aprendizado que aparecerão no ensino superior.

Para a diretora acadêmica e professora de Economia da Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), Maria Antônia Borges, o Enem cria oportunidade de acesso ao ensino superior para estudantes de escolas públicas, mas transfere para faculdades e universidades as deficiências de aprendizagem do ensino básico. “Temos mais de 100 alunos beneficiados pela bolsa do ProUni e são os melhores alunos da faculdade. Eles têm que ter 75% de aproveitamento, mas nós recebemos alunos tanto do Enem quanto não, com muita deficiência de aprendizagem. Inclusive, há um ano e meio tivemos que criar um programa de nivelamento de português e matemática, porque às vezes pegamos alunos semianalfabetos e eles não dão conta de acompanhar”, afirma.

Ainda segundo Maria Antônia, a prova disso aparece no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), onde os alunos respondem questões de conhecimentos gerais e específicos do curso que está fazendo, e a maior dificuldade dos estudantes hoje está em acertar as perguntas de conhecimentos gerais, conteúdo ensinado no ensino médio e adquirido pela leitura. “Hoje, o jovem não lê, então ele sabe o conhecimento específico porque a faculdade está oferecendo, mas a visão holística de mundo falta até mesmo nos universitários que estão quase se formando”, alerta a diretora.

De acordo com o reitor da UFTM, Virmondes Rodrigues Junior, uma preocupação importante para as instituições de ensino serão os fatores de retenção e desistência do curso. No caso da UFTM, com uma cota de 50% a progressão do aluno do primeiro para o segundo semestre e do segundo para o terceiro, especialmente no primeiro ano, é mais lenta. Por isso, ele alerta que será necessária a construção de um modelo pedagógico de apoio aos alunos, o que já está sendo estudado na estrutura acadêmica, para que a retenção e a evasão na universidade diminua, que permita a garantia de um bom aprendizado para cotistas e não-cotistas.

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